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02 - PROTEÇÃO RESPIRATÓRIA EM EMERGÊNCIAS

Senhores internautas, dando continuidade à seqüência de temas sobre a Proteção Respiratória, neste artigo, iremos comentar sobre a Seleção de Equipamentos de Proteção Respiratória (EPR´s) segundo a IN-01 (Instrução Normativa) da Fundacentro .

Os E.P.R´s que além da certificação obrigatória, o C.A.(Certificado de Aprovação), devem ser adequados às reais necessidades dos usuários socorristas e das vítimas;
No artigo anterior (Conceitos de Higiene do Trabalho (focando produtos químicos)), vimos a importância da análise do risco, o qual o socorrista e a vítima estariam expostos, e no nosso caso, a atmosfera local poderá apresentar os seguintes riscos:

Presença de produtos químicos tóxicos no ar e deficiência ou excesso de oxigênio.

A escolha do respirador, considerando atmosfera com concentração de oxigênio entre 19,5% e 21% e se a concentração do produto químico tóxico não exceder a:

  • 10 vezes o seu L.T. (limite de tolerância), deve-se utilizar respirador semifacial;
  • 50 vezes o seu L.T. (limite de tolerância), deve-se utilizar respirador semifacial, com suprimento de ar ;
  • 100 vezes o seu L.T. (limite de tolerância), deve-se utilizar respirador facial;
  • 1000 vezes o seu L.T. (limite de tolerância), deve-se utilizar respirador facial, ou capuz ou capacete com suprimento de ar (caso de atmosfera IPVS)
  • 10.000 vezes o seu L.T. (limite de tolerância), deve-se utilizar máscara autônoma (caso de atmosfera IPVS)

Observar o limite IPVS de cada produto químico, que é o valor de concentração imediatamente perigosa à vida e à saúde (IPVS).

Na história da evolução da ciência, no século XVI, Paracelso postulou que: “tudo é veneno, nada é veneno, depende da concentração e do tempo de exposição”

Partindo dessa afirmativa, tanto o socorrista como a vítima deverão ficar o menor tempo possível em exposição aos agentes químicos presentes no acidente .

Antes de o socorrista enfrentar a situação de emergência, o mesmo deverá considerar a atmosfera local como IPVS e tendo informações sobre os produtos químicos presentes no ar, também poderá ser necessária a proteção à pele, utilizando-se roupa especial nível A (aquela que isola completamente o socorrista) ou nível B , segundo classificação da NFPA ( National Fire Protection Association dos Estados Unidos).

A Instrução Normativa (IN-01) , que criou o PPR (programa de proteção respiratória) da Fundacentro, em seu item 4.3 Seleção de respiradores para uso em atmosferas IPVS, espaços confinados ou atmosferas com pressão reduzida e em seu subitem 4.3.2 Respiradores para uso em condições IPVS na pressão atmosférica normal, a seguir copiado:

“O respirador que deve ser usado em condições IPVS provocadas pela presença de contaminantes tóxicos, ou pela redução do teor de oxigênio, ... é a máscara autônoma de demanda com pressão positiva, ou uma combinação de um respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para escape. Enquanto o trabalhador estiver no ambiente IPVS, uma pessoa, no mínimo, deve estar de prontidão, num local seguro, como o equipamento pronto para entrar e efetuar o resgate, se for necessário. Deve ser mantida a comunicação contínua (visual, pela voz, telefone, rádio ou outro sinal conveniente) entre o trabalhador que entrou no ambiente IPVS e o que está de prontidão. Enquanto permanecer na área IPVS, o usuário deve estar com cinturão de segurança e cabo que permita a sua remoção, em caso de acidente. Devem estar também previstos outros recursos”

Analisando o postulado acima, as equipes de emergência devem possuir os seguintes equipamentos, para proteção respiratória:

máscara autônoma de pressão positiva: que contém ar comprimido, sob pressão, num volume suficiente, para que no fluxo respiratório de 40 lpm (litros de ar por minuto) ofereçam a autonomia de 30, 45 ou 60 minutos. Lembrando-se que quanto mais pesado o equipamento, maior será o consumo de ar do usuário. Devem possuir alarme para aviso de que o ar está na reserva (falta cerca de 7 minutos para se esgotar)

No Brasil, temos fabricantes e importadores de máscaras autônomas , que submetem o seu produto as exigências mínimas da norma NBR 13.716/96 (ABNT) para a obtenção do Certificado de Aprovação (C.A).


A máscara autônoma poderá ser utilizada para o socorrista combater incêndio ou vazamento de produtos químicos. Nunca se esquecer que o nosso corpo é frágil e necessita de proteção para temperaturas elevadas e ataques corrosivos dos produtos químicos.

respirador de linha de ar comprimido com cilindro auxiliar para escape: possui peça facial com válvula de demanda e cilindro com redutor de pressão e um chicote, com engate rápido seguro (E.R.S), para ser conectado à mangueira de ar respirável comprimida e essa por sua vez conectada a um painel filtrante e rede de compressor industrial ou diretamente a um sistema de carreta de cilindros de ar comprimido sob alta pressão. Em ambos os casos, deve-se analisar a atmosfera próxima ao compressor, sua localização (distância do ponto de captação ao local do acidente) e a autonomia do sistema de carreta de cilindros (quantidade de cilindros de reserva).
O cilindro auxiliar servirá para fornecer ar respirável ao usuário, no caso de haver falha no fornecimento de ar comprimido do sistema externo e a autonomia será limitada ao volume de ar do cilindro (que fornece cerca de 5 minutos , suficientes para a fuga do local).

 

OBS.: esse sistema é aconselhável para situações de vazamentos de produtos químicos em espaço confinado ou em ocorrência em que o socorrista deverá permanecer por mais que 60 minutos e que não haja risco de incêndio.

Respirador com capuz e cilindro de fuga: este equipamento oferece fluxo contínuo (independente do ar local) ,o suficiente para que o capuz permaneça inflado e protege às vias respiratórias da vítima, para a sua fuga (ajudado pelo socorrista).Pode ser utilizado para resgate de vítimas em espaço confinado (desde que a fuga não demore mais que 5 minutos).

Respirador com capuz e filtro de fuga: este equipamento não poderá ser utilizado em atmosfera IPVS e oferece proteção contra gases tóxicos e particulados (usa filtro combinado de multiuso). O capuz protege o rosto e as vias respiratórias da vítima, para que a mesma saia do local perigoso sem a ajuda do socorrista, pois necessariamente a vítima tem que estar consciente e animada.

OBS.: Ambos os equipamentos são muito importantes para a proteção respiratória de vítimas e no auxílio do trabalho dos socorristas na fuga do local perigoso.
Devem estar dispostos em locais apropriados , onde a probabilidade de ocorrência de acidentes seja maior.

Como escolher esses equipamentos no mercado???

Os passos a seguir são importantes:
  1. Descobrir a real necessidade de cada operação, seja combate à incêndio, vazamento de produtos químicos , resgate em espaço confinado e de vítimas nos casos anteriores.
  2. Analisar as características técnicas: CUSTO x BENEFÍCIO
  3. Fazer teste dos equipamentos de interesse
  4. Comparar características semelhantes dos equipamentos... o que vier a mais é benefício para o usuário
  5. Sempre deixar o usuário testar o produto, pois a opinião dele deve ser incluída no julgamento
  6. Nunca compare somente o preço da compra, pois o custo da manutenção de 05 anos de uso deverá ser analisada . Quantos equipamentos são mais baratos e as peças de reposição são quase o preço de um equipamento novo!
  7. Analise se o fornecedor possui assistência técnica própria ou é terceirizada sob controle e autorização do fabricante do equipamento ofertado e se possui unidade móvel para visitas periódicas
  8. Procure saber sobre o custo da recarga de ar comprimido e se o fornecedor oferece certificado da qualidade do ar respirável (conforme Grau D da ABNT e IN-01)
  9. Procure saber se o fornecedor oferece equipamento de reserva , no caso do seu equipamento adquirido necessitar de assistência técnica
  10. Também é importante saber se o fornecedor oferece os treinamentos de uso e manuseio e manutenção básica dos equipamentos na sua empresa.
Depois de analisado todos esses itens, não se esqueçam que a vida humana não tem preço!!!

Eng. Cleber C. Vieira
Consultor e membro do GSI e professor do SENAC
e-mail: bombeiros@bombeiros.com.br
cel.: (11) 9935-9829

 

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