MERGULHO LIVRE
Uma
vez que o homem é
um ser bípede
terrestre, a adaptação
eficiente ao mundo
subaquático
requer uma série
de equipamentos acoplados
ao nosso corpo, formando
um só conjunto.
Esses equipamentos
podem variar muito
em formas, modelos
e sobretudo em função
do tipo de mergulho
a ser executado. A
seguir serão
apresentados os equipamentos
básicos para
o mergulho livre.
1.
O equipamento básico
de mergulho:
1.1
Máscara semi-facial:
Sendo nossos olhos
adaptados à
visão no
ar atmosférico,
quando estão
abertos debaixo
d’água,
vemos as imagens
distorcidas devido
ao fenômeno
físico da
refração
da luz. Para corrigir
tal deficiência
criamos uma camada
de ar à frente
dos olhos proporcionada
pela armação
da máscara,
permitindo-nos enxergar
quando submersos
e ainda conferindo
proteção
aos olhos do mergulhador;
contudo, este espaço
adicional está
sujeito à
pressão externa
da água,
que deve ser igual
à interna.
Por esta razão,
o nariz é
envolto de modo
a permitir que o
ar seja exalado
para dentro, igualando
assim as pressões
durante o mergulho.
A curvatura do olho
funciona como uma
lente convergente
de maneira que os
raios na atmosfera
incidem sobre a
retina; já
na água não
ocorre a mesma coisa
devido à
refração,
ou seja, os raios
de luz não
sofrem o mesmo desvio.
As imagens são
formadas depois
da retina, e nossos
olhos têm
uma visão
hipermétrope,
não enxergando
co nitidez os objetos.
Ocorre também
devido à
refração
da luz um aumento
aparente no tamanho
dos objetos, ou
seja, eles parecem
sêr maiores
e estarem mais próximos
de que os vê,
aproximadamente
um quarto ou 25%.
1.2
Respirador:
O respirador ou
“snorkel”
é um tubo
curvado similar
à letra “J”,
cuja extremidade
menor ou bocal encaixa-se
na boca do mergulhador
e a outra passa
pelo lado da cabeça,
indo até
a superfície,
de modo a permitir
a retirada, por
sucção,
do ar necessário
à respiração.
Permite ao mergulhador
respirar enquanto
nada na superfície
sem erguer a boca
para fora da água,
possibilitando o
deslocamento com
maior desenvoltura
e facilidade. No
mergulho autônomo,
durante o deslocamento
na superfície,
auxilia o mergulhador
a economizar ar
do cilindro até
o ponto de imersão,
ou saindo deste
de retorno ao barco
ou margem.
1.3
Nadadeiras:
As nadadeiras são
equipamentos em
forma de barbatanas
que os mergulha
dores adaptam aos
pés para
auxiliar o movimento
sobre a superfície
da água ou
embaixo dela. Na
realidade, elas
aumentam artificialmente
a área do
pé, permitindo
que este impulsione
uma quantidade maior
de água para
trás. A utilização
da nadadeira visa
proporcionar o máximo
de rendimento com
o mínimo
de esforço;
para tanto, o mergulhador
estando em deslocamento
na superfície,
deverá evitar
que as nadadeiras
saiam fora da água,
pois assim estará
prejudicando o rendimento.
1.4
Cinto de lastro:
A tendência
da maioria das pessoas
é ter flutuabilidade
positiva, ou seja,
mantêr-se
na superfície
da água,
flutuando; somando-se
a este fato, os
demais equipamentos
de mergulho contribuem
ainda mais para
essa condição,
principalmente o
uso de roupas isotérmicas.
Para vencer esta
deficiência,
o mergulhador necessitará
de grande esforço
para nadar para
o fundo, e lá
permanecer, consumindo
assim a energia
que deveria ser
utilizada no trabalho
propriamente dito.
O uso de lastros,
dimensionados para
a flutuabilidade
de todo o conjunto
( mergulhador e
equipamentos), é,
então, condição
essencial para execução
racional do mergulho.
O lastreamento deve
ser graduado de
maneira a tornar
o mergulhador com
uma leve flutuação
positiva para garantir
que, estando o corpo
abandonado (sem
movimento) na profundidade
de trabalho, suba
lentamente à
superfície.
Existem muitos modelos
de cintos de lastro
no mercado; as principais
recomendações
feitas como medidas
de segurança
são: a de
que possua um fecho
de desengate rápido,
essencial em caso
de emergência
para subidas rápidas
e a de que, na sequência
de equipagem seja
colocado por último
e por sobre eventuais
outras cintas e
arreios.
1.5
Faca:
O tempo em que a
faca de mergulho
era vista como arma
para defesa contra
seres marinhos já
passou; hoje é
sabido que tal instrumento
tem a função
de ferramenta e
seu uso está
relacionado com
os fatores de segurança
do mergulhador.
Como instrumento
de uso geral, podemos
destacar os seguintes
empregos: cavar,
cortar, alavancar,
bater, medir, etc.
1.6
Roupas isotérmicas:
Têm a função
principal de reduzir
a perda de calor
corporal para a
água. Secundariamente,
acabam também
protegendo o mergulhador
contra ferimentos
leves como arranhões
e arestas de pedras,
cracas ou corais.
Podem sêr
divididas em:
1.6.1.
roupas molhadas:
É assim chamada
por permitir a entrada
de água,
aprisionando-a em
sua parte interna,
que é aquecida
pelo corpo do mergulhador
e reduzindo as perdas
caloríferas.
É constituída
de um tecido de
borracha chamado
“neoprene”,
impregnado de pequenas
células ou
bolhas que aumentam
a capacidade isolante
da borracha, conferindo
também grande
flutuabilidade ao
material.
1.6.2. roupas
secas:
Foram concebidas
para isolar totalmente
o mergulhador do
contato com a água,
sendo recomendadas
para mergulhos em
águas extremamente
frias ou muito poluídas.
Sua fabricação
evita a entrada
de água,
sendo possível
até usar
agasalhos de lã
sob ela; também
são confeccionadas
em neoprene, apresentando
vedação
de borracha em volta
do pescoço,
punhos e tornozelos.
Possuem um inflador
na altura do peito
para ajuste de flutuação;
o isolamento térmico
é feito pela
camada de ar entre
a pele e a roupa.
TEMPERATURA
DA ÁGUA |
ROUPA
APROPRIADA |
0°
a 10° C |
roupa
seca |
10°
a 15° C |
neoprene
de 5 a 7 mm |
15°
a 22° C |
neoprene
de 3 a 5 mm |
22°
a 25° C |
roupa
de lycra ou
de surfe |
Acima
de 25° C |
desnecessário
o uso |
No litoral brasileiro,
a temperatura da
água é
de 22º a 25º
1.7
Acessórios:
Como o próprio
nome diz, são
equipamentos acessórios
aqueles que, embora
não sejam
essenciais, tornam
a atividade de mergulho
mais agradável,
facilitando determinadas
tarefas; podemos
tomar como exemplo
luvas, botas, capuz
de neoprene, lanternas
e sacola molhada
(destina-se a guarda
e transporte dos
equipamentos de
mergulho, sendo
constituída
de material resistente
e grande o suficiente
para acomodar todo
o material).
2. Mergulho
livre ou mergulho
em apnéia:
O
mergulho livre é
aquele em que o
mergulhador realiza
em apnéia,
isto é, prendendo
a respiração,
utilizando tão
somente o ar contido
nos pulmões
e um rol limitado
de equipamentos.
Apnéia é
a suspensão
temporária
da atividade respiratória,
podendo ser voluntária
(caso da imersão
subaquática
sem equipamento
de ar), ou involuntária,
sendo neste caso
de natureza patológica.
Muitas pessoas podem
reter a respiração
por um curto espaço
de tempo, mas em
geral, em algum
momento durante
a tentativa de segurar
a respiração,
o desejo de respirar
virá, e se
tornará tão
intenso que não
haverá possibilidade
de prolongamento.
Essa demanda é
assinalada pelo
centro respiratório,
respondendo ao aumento
dos níveis
de dióxido
de carbono e ácidos
no sangue, provocados
pela correspondente
queda do teor de
oxigênio em
função
do consumo de tecidos.
A técnica
empregada para a
imersão em
apnéia consiste
basicamente na prática
de movimentos respiratórios
amplos e lentos,
no fim dos quais,
após uma
inspiração
profunda, o indivíduo
mergulha, terminando
a apnéia
com o retorno à
superfície.
O efeito da expiração
profunda é
duplo e assim apresentado:
a)
consiste basicamente
no armazenamento
de oxigênio
em uma certa quantidade;
b) manter na corrente
sanguínea
um certo volume
de difusão
alveolar de anidrido
carbônico,
aumentando assim
o período
de duração
da apnéia.
A
inspiração
profunda permite
também aumentar
a profundidade máxima
de imersão,
sem o perigo da
exposição
do mergulhador a
um barotrauma pulmonar.
Ao término
da apnéia,
o mergulhador deverá
executar atos respiratórios
amplos e lentos,
procurando expirar
profundamente para
remover o ar saturado
dos alvéolos,
de modo a restituir
aos pulmões
volume e percentuais
normais, seja de
oxigênio,
ou de gás
carbônico
que vinha sendo
acumulado durante
a suspensão
da respiração.
A duração
do tempo da apnéia
é extremamente
variável
de indivíduo
para indivíduo,
mas de modo geral
podemos afirmar
que atinge de alguns
segundos a dois
minutos aproximadamente,
e depende de numerosos
fatores, sendo os
principais os seguintes:
-
composição
inicial do ar alveolar,
dependendo da condição
momentânea
do indivíduo
(esforço
recente, ventilação
pulmonar correta);
- consumo de O2
(oxigênio)
e produção
de CO2 (gás
carbônico)
em resposta à
combustão
celular que é
aumentada por fatores
externos, como frio,
trabalho executado,
condição
emocional do mergulhador,
etc.;
- resistência
do centro nervoso
respiratório
aos estímulos
induzidos pela alteração
do pH do sangue,
provocado pelo aumento
da taxa de CO2;
- outros fatores
representados pela
constituição
individual, pela
posição
do corpo, pela alimentação,
etc.
Todos
esses fatores agem
determinando diferenças
individuais na duração
da apnéia
voluntária
e também
diferenças
substanciais no
mesmo indivíduo
dia para dia, e
até mesmo,
de hora para hora.
Acompanhe no quadro
abaixo, como os
valores de apnéia
podem variar de
acordo com cada
situação:
INDIVÍDUO
SEM TREINAMENTO |
|
INDIVÍDUO
COM TREINAMENTO |
|
ATIVIDADE
EXECUTADA |
TEMPO
(S) |
ATIVIDADE
EXECUTADA |
TEMPO
(S) |
depois
de expiração
forçada |
15 |
depois de inspiração
forçada |
110 |
depois
de expiração
normal |
20 |
com
exercício
físico |
60 |
depois
de inspiração
normal |
35 |
com
a cabeça
submersa |
80 |
depois
de inspiração
forçada |
60 |
em
imersão
total em repouso |
100 |
depois
de hiperventilação |
110 |
em
imersão
total com exercício |
70 |
Como
se pode observar,
a atividade muscular
diminui a duração
do tempo de apnéia,
devido ao aumento
do consumo de O2
e uma produção
maior de CO2. Para
compensar isso,
é natural
que o mergulhador
menos experiente
use o artifício
da hiperventilação;
no entanto, a intensidade
dela não
deve ultrapassar
30 segundos, sendo
que uma sensação
de “formigamento”
nas extremidades
ou tonturas são
sinais evidentes
que houve excessiva
hiperventilação
e essa condição
pode propiciar o
surgimento do acidente
“apagamento”.
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e Mergulho em Apnéia
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