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O MERGULHO AUTÔNOMO

É chamado de mergulho autônomo aquele que permite ao mergulhador transportar, em cilindros ou ampolas, todo o suprimento da mistura gasosa que será utilizada na sua respiração, enquanto permanecer submerso.

1. Classificação:

Dentro da classificação dos equipamentos de mergulho autônomo, segundo o princípio de funcionamento, há três categorias:
a) circuito fechado;
b) circuito semifechado; e
c) circuito aberto.

  • 1.1 Circuito fechado e semifechado
    Muito utilizados em operações militares por excelência, onde os requisitos de discrição, tamanho reduzido e razão de profundidade aliada à duração do mergulho são essenciais; esses equipamentos apresentam como característica principal a utilização de misturas respiratórias artificiais, como oxigênio a 100% ou nitrogênio/oxigênio em proporções diferentes das do ar. No circuito fechado a mistura gasosa circula continuadamente entre o mergulhador e o equipamento, não havendo qualquer descarga de gases para o ambiente. No circuito semifechado, parte da mistura respiratória recircula e parte é descarregada. São conhecidos desde o final do século XIX, mas foi recentemente que evoluíram muito, existindo até equipamentos fechados e semifechados que utilizam misturas de hélio/oxigênio próprios para mergulhos profundos.
  • 1.2 Circuito aberto
    Por concepção, é aquele que o ar exalado pelo mergulhador é liberado para o ambiente; também chamado de “aqualung”, foi desenvolvido no início da década de 40 pelo Capitão Jacques Ives Cousteau, oceanógrafo francês, e pouco mudou desde então, sendo basicamente um reservatório de ar a alta pressão, ligado ao mergulhador por meio de uma válvula redutora de pressão e reguladora de demanda.
  • 1.3 Considerações técnicas do equipamento autônomo
    De forma geral, todos os equipamentos autônomos possuem uma série de características que lhes proporcionam vantagens e desvantagens quando comparados a equipamentos dependentes; neste particular, o “aqualung”, apesar da extrema facilidade de operação, não se presta a todo tipo de trabalho submerso, mas é convenientemente adequado para pequenas tarefas como procuras, reparos leves, vistorias e inspeções, realizados a pouca profundidade. Compare na tabela abaixo a performance do equipamento autônomo na atividade profissional:

VANTAGENS

DESVANTAGENS
tempo reduzido na
preparação
suprimento
limitado de ar
excelente
mobilidade
limite de
profundidade
pequena estrutura
de apoio
pouca proteção física
ao mergulhador
bom para penetração
em locais confinados
não é adequado para
trabalhos penosos
permite o deslocamento
pela superfície
limitado a correntada
máxima de 1 nó
fácil
transporte
oferece certa
resistência à respiração

2. O equipamento autônomo de circuito aberto:

O conjunto dos equipamentos autônomos abrange os já citados na categoria de mergulho livre, acrescido dos específicos, que seguem:

2.1 Cilindro de ar comprimido:
É fundamental no rol dos equipamentos autônomos, formando, juntamente com a válvula reguladora, o conjunto de respiração. É conhecido também por outras denominações como garrafa, tanque, ampola de mergulho, etc.; o nome técnico, contudo, aprovado pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) é “cilindro para gases a alta pressão”. Os cilindros são fabricados em ligas de metais, normalmente de aço-carbono ou aço-liga, o que os obriga a receberem um tratamento anti-corrosivo, e assim é cada vez maior o número de cilindros feitos em alumínio; de qualquer forma, não devem possuir costuras ou emendas, seguindo as normas vigentes. A corrosão é o maior problema que afeta os cilindros, sejam de aço ou de alumínio; o ferro combinado com o oxigênio resulta numa substância avermelhada chamada óxido de ferro (ferrugem); o alumínio, por sua vez, também reage com o oxigênio formando um pó esbranquiçado, o óxido de alumínio. A oxidação é um processo progressivo e responsável pela redução das paredes do cilindro ao longo do tempo.

2.2 Válvula reguladora:
Também chamada de regulador de demanda ou simplesmente por regulador de ar, tem a finalidade de reduzir a pressão do ar que sai do cilindro e conduzi-lo ao mergulhador para ser respirado na pressão adequada à profundidade do mergulho. Podemos dizer que existem dois tipos de reguladores: os de mangueira única e os de mangueira dupla ou de traquéias; os reguladores de mangueira dupla foram muito utilizados até a década de 70, ocasião em que começou a fabricação dos modelos de mangueira única. Por razões específicas, os reguladores de traquéias ainda são usados por alguns mergulhadores; a condição de não soltar bolhas, à frente do rosto, tem contribuído para a sua escolha por fotógrafos submarinos, por exemplo; contudo, esse regulador está em franco processo de desuso, sendo cada vez mais difícil de ser encontrado.

2.3 Colete equilibrador:
Também conhecido como compensador, é um item fundamental para o mergulhador; é também conhecido por BC (do inglês – Buoyancy Compensator) e foi definitivamente adotado para a atividade de mergulho autônomo no final dos anos 70. Podemos destacar duas atividades básicas do BC: manter a flutuação positiva do mergulhador na superfície, e controlar a flutuação, quando no fundo. O colete equilibrador nada mais é do que uma bexiga inflável, capaz de assumir diversas formas, tamanhos, cores e padrões; o mais comumente encontrado é o tipo “jacket”, que incorpora o arreio do cilindro, tornando colete e suporte do cilindro uma só peça. Não muito freqüentes, mas ainda encontrados, os coletes tipo colar ou babador, são vestidos pela cabeça e poderiam sêr apontados como pioneiros, e por isso, já em desuso.

2.4 Suporte anatômico:
Também conhecido como arreio ou “back pack” (do termo inglês – mochila), destina-se a prender o cilindro ao corpo do mergulhador; é encontrado sob diversas formas, desde simples selins de plástico com tirantes, até os que são acoplados aos coletes equilibradores tipo “jacket”.

2.5 Instrumentos de medição:

2.5.1 relógio:
Muito mais do que apenas fornecer a hora certa, o relógio na atividade de mergulho é visto como mais um item de segurança e não pode ser deixado de lado; o controle do tempo no fundo, bem como o das paradas de descompressão, entre outras coisas, seria impossíveis sem o relógio apropriado. Alguns relógios mais sofisticados são dotados de alarmes que indicam quando a subida do mergulhador está sendo muito rápida, memória que permite programar até 30 mergulhos ou retransmitir os dados para um computador.

2.5.2 profundímetro:
São manômetros graduados em metros ou pés, destinados a registrar a profundidade durante o mergulho; é requisito para cada dupla de mergulhadores, pelo menos um profundímetro no rol dos equipamentos durante o mergulho. Existem dois tipos de profundímetros: os de coluna d’água, que não são os mais precisos, principalmente em profundidades superiores a 20 metros, mas com a vantagem de apresentarem baixo custo, e os de tubo de Bourdon, que têm maior precisão, além do fato de possuírem ponteiros que indicam a maior profundidade atingida.

2.5.3 manômetro:
Destinado a registrar a pressão do ar do cilindro. Existem os de tipo submersível, que está conectado diretamente a uma saída de alta pressão do primeiro estágio do regulador, e o de superfície, que aplica-se diretamente na torneira do cilindro, antes de se acoplar a válvula reguladora, fornecendo a pressão somente no início do mergulho.

2.5.4 consoles:
Destinados a integrar um número determinado de instrumentos, são conectados à saída de alta pressão da válvula reguladora, quando dispõe de manômetro; facilitam muito o controle de tempo de fundo, ar no cilindro, orientação através de bússola, etc.


2.6 Linha de vida:
É um cabo constituído de fibras sintéticas, maleável, resistente à abrasão, com diâmetro entre 12 a 14 mm, destinado a conectar o mergulhador à superfície; deve ser preso à cintura do homem, através de nós de soltura rápida (nó de escafandro) e seu comprimento apropriado à profundidade de trabalho, possibilitando uma lazeira que permita ser acondicionado e removido na superfície sem molestar o trabalho do mergulhador submerso. Tem como finalidade servir de meio de comunicação com a superfície, e localização e resgate do mergulhador em casos de emergência; tem como vantagem a utilização em mergulhos em água de pouca visibilidade e em locais internos, como grutas, cascos, estruturas, etc., e como desvantagem a possibilidade de enrosco do mergulhador.

2.7 Computadores de mergulho:
Em 1953 um Comitê da Marinha Americana já apontava como melhoria necessária para equipamentos nas operações anfíbias o emprego de computadores de mergulho, contudo, seu uso efetivo foi a partir da década de 70, principalmente devido à popularização do mergulho como atividade recreativa. Inicialmente seu princípio de funcionamento era físico, baseando-se nas leis de Boyle e Mariotte. Os registros de profundidade e tempo de fundo eram feitos automaticamente, instante a instante, de forma a indicar no mostrador quais as paradas de descompressão a serem realizadas pelo mergulhador durante a subida; a constatação de casos de doença descompressiva apesar da obediência às tabelas de descompressão fornecidas pelos computadores, trouxe grande polêmica a respeito de seu uso. Com a evolução técnica proporcionada pelo desenvolvimento de microprocessadores, os aparelhos se tornaram menores, mas não mais seguros. Os computadores atuais utilizam modelos que representam os vários tecidos do corpo (gordura, músculos, ossos, etc) classificando-os em compartimentos que absorvem ou eliminam nitrogênio em uma velocidade diferente; o problema é exatamente este, pois cada fabricante adota uma sistemática para classificar esses compartimentos, produzindo equipamentos que apresentam respostas diferentes para dados semelhantes.

Equipamento completo

 

 



3. As equipes de mergulho:

Levando-se em conta que a segurança nos trabalhos subaquáticos sempre será a preocupação maior, é necessário o emprego de uma equipe básica para o mergulho com ar comprimido, dimensionada de tal forma a possuir a quantidade suficiente de mergulhadores (incluindo os reservas), os equipamentos indispensáveis, bem como todo o apoio de superfície.
Um método eficiente para se determinar a equipe mínima para o mergulho é o critério da profundidade; dessa forma poderemos estabelecer duas faixas de trabalho: trabalhos em até 50 pés e trabalhos entre 50 e 130 pés de profundidade.

  • 3.1 Trabalhos em até 50 pés de profundidade
    A equipe mínima será composta por três mergulhadores, com as seguintes funções:
    - mergulhador base: aquele que irá executar o trabalho;
    - mergulhador reserva: deverá permanecer na superfície, equipado e pronto para atuar imediatamente em caso de emergência. Além disso, é sua obrigação manter contato com o “base”, através da linha de vida, comunicando-se pelos sinais padrão de mergulho;
    - mergulhador auxiliar: permanece na superfície, desequipado, efetuando todas as anotações, registros e controle do mergulho. Se estiverem embarcados, é o responsável pelo controle da embarcação.
    Como os três componentes da equipe são mergulhadores, poderá ocorrer um revezamento das funções, com o objetivo de evitar a sobrecarga de mergulhos para um só indivíduo.
  • 3.2 Trabalhos entre 50 e 130 pés de profundidade
    Além do efetivo mínimo estipulado para o item anterior, farão parte desta equipe mais dois componentes:
    - supervisor do mergulho: deverá ser o mergulhador mais experiente ou mergulhador qualificado e designado pelo Comandante (chefe) imediato para supervisionar a operação de mergulho;
    - mergulhador auxiliar: deverá assumir a incumbência de contato com o “base”, através da linha de vida, liberando o mergulhador reserva dessa função. Além disso poderá ser remanejado para outros afazeres, a critério do supervisor.

    Observações:

    1) Em qualquer operação de mergulho em que, para a realização do trabalho, for previsto o emprego simultâneo de 2 ou mais mergulhadores na água, deverá existir, no mínimo 1 mergulhador de reserva para 2 mergulhadores submersos.
    2) O mergulho com equipamento autônomo a ar comprimido está limitado à profundidade de 40 metros ou 130 pés.

Veja Também:

=>Hiperventilação e Mergulho em Apnéia
=> Medicina e Fisiologia do Mergulho
=> Mergulho Livre

 

 

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