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HISTÓRICO DO MERGULHO


A fascinação que o misterioso mundo submarino sempre exerceu sobre o ser humano e a vontade de explorar suas riquezas fizeram crescer o interesse pela atividade subaquática ao longo dos anos. Um objeto perdido, a busca de alimentos ou, simplesmente, a curiosidade, sem dúvida devem ter exercido um forte atrativo para a primeira incursão.

O desejo de observar esse tão cobiçado domínio, não representa apenas um capricho do homem moderno. Gravuras datadas do século IX AC. Representam guerreiros Assírios respirando em sacos de couro e nadando sob o mar, enquanto desenhos gregos e macedônios mostram mergulhadores em atividade, usando o que hoje chamamos de sino aberto de mergulho. Uma lenda conta que Alexandre Magno, rei da Macedônia e também considerado o maior general da Antigüidade, no século IV AC; fez-se imergir na água, dentro de um barril de vidro, para ver o que se passava lá embaixo. E o que viu foi algo difícil de acreditar: um monstro de tão grandes proporções, que levou três dias e três noites para passar.

Em termos mais científicos, há registros de que há cerca de 1500 anos atrás, as amas japonesas e coreanas já mergulhavam coletando pérolas e animais comestíveis no fundo do mar, usando apenas o ar contido em seus pulmões.

Em 1690, o astrônomo britânico Edmundo Halley contribuiu sobremaneira para a atividade de mergulho, inventando um importante artefato: o sino de mergulho, cuja idéia e concepção, praticamente pouco mudou até os dias de hoje.

Com o crescimento e interesse pela atividade de mergulho, no início do século XIX, franceses, ingleses e alemães deram início a uma ferrenha disputa para inventar um equipamento que libertasse definitivamente o homem do incômodo sino. No ano de 1819, o engenheiro alemão radicado na Inglaterra August Siebe inicia o desenvolvimento de um equipamento que denominou de escafandro, cujo conceito era o do próprio sino, reduzido de tamanho às dimensões de um capacete semi-esférico, aberto no bordo inferior e que recebia ar da superfície por uma mangueira e uma bomba de pressão. Este equipamento tinha o inconveniente de ser aberto por baixo, o que obrigava o mergulhador a se manter em pé, já que com qualquer inclinação do escafandro ocorriam perdas de ar e a correspondente entrada de água.

No ano de 1837 Siebe, baseado em suas experiências anteriores, aperfeiçoa seu equipamento, unindo a ele uma roupa completa de mergulho, confeccionada com lona cauchutada de grande resistência e totalmente impermeável. O sistema era estanque, deixando o mergulhador totalmente seco, além de possuir uma válvula que permitia ao mergulhador eliminar o excesso de ar através de um simples toque com a cabeça. Para se equilibrar embaixo da água, era preciso usar sapatos de chumbo e lastros na altura do peito e costas e por esta razão ficou conhecido até os dias de hoje como escafandro clássico ou escafandro pesado (pés de chumbo). Até poucas décadas atrás, era utilizado para trabalhos submarinos mais pesados.

O mergulho, com finalidade esportiva nasceu em 1943, quando o então Capitão da Marinha Francesa Jacques Yves Cousteau, associado ao engenheiro francês Emile Gagnan, criava o Aqualung, primeiro aparelho portátil para respiração subaquática.

No Brasil, as primeiras atividades de mergulho registradas foram, sem dúvida, realizadas por nossos índios. Escritores e cronistas como Hans Staden, José de Anchieta e outros, descrevem os silvícolas como exímios mergulhadores. Sua destreza no combate aquático ficou evidenciada em diversas narrativas como a do assalto às naus francesas em Cabo Frio, onde o governador Salvador Corrêa de Sá foi salvo por três vezes pelos Tupiminós.

Ainda pelo Brasil, mas num tempo mais moderno, a instituição pioneira nas atividades de mergulho foi a Marinha. Durante muito tempo, seus mergulhadores foram os únicos capazes de realizar missões importantes como, por exemplo, desativar artefatos explosivos. A necessidade sempre presente de novas incursões subaquáticas levou seu pessoal a um alto grau de especialização e aprimoramento, transformando-a em ponto de referência técnica nesse assunto.

Na atividade particular, o mergulho recebeu grande estímulo em decorrência da prospecção de petróleo submarino. Essa nova modalidade profissional resultou numa intensa corrida tecnológica, entre as empresas especializadas, propiciando a importação e pesquisa de procedimentos técnicos. Hoje o País goza de credibilidade internacional, sendo inclusive exportador de tecnologia do mergulho de plataforma.

Hoje em dia, a atividade de mergulho já está incorporada à vida do homem, quer seja como mais uma opção de lazer ou como ferramenta de apoio para atuar em outras áreas profissionais. É certo também que em virtude do rápido processo de transformação por que passa o mundo, aliado à imensa oferta de informações, as cidades submersas criadas por Julio Verne logo será uma realidade.

Fonte: Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo - Manual Básico de Mergulho Autônomo a Ar Comprimido

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