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HIPERVENTILAÇÃO E MERGULHO EM APNÉIA

O mergulho em apnéia precedido por uma hiperventilação, promoverá um prolongamento considerável do bloqueio da respiração e um sentimento de prazer muito grande, acarretando um perigo muito maior para o mergulhador.

O que leva o mergulhador sofrer um apagamento é o aumento da PCO2 arterial.
O apagamento se dá da seguinte forma: O mergulhador hiperventila, aumentando a Po2 e diminuindo consideravelmente a PCO2, antes de iniciar o mergulho (isso ocorre também na apnéia estática e na dinâmica, mas é mais perigosa no mergulho profundo), quando é iniciada a descida o pulmão começa ser comprimido (lei de Boyle), o O2 alveolar penetra continuamente na corrente sangüínea para ser utilizado como combustível. Por causa da hiperventilação, a PCO2 arterial continua baixa o mergulhador ainda não tem necessidade de respirar.

Enquanto o mergulhador continua descendo, a pressão externa exercida pela água vai comprimindo o tórax. Desta forma a pressão mantém uma PO2 relativamente alta dentro dos alvéolos, apesar da quantidade de oxigênio ser reduzido, porque penetra continuamente na corrente sangüínea.

Essa pressão externa que comprime o tórax, mantém a PO2 adequada para saturar a hemoglobina enquanto o mergulhador continua descendo.

No retorno à superfície, ocorre uma inversão brusca nas duas pressões, aumentando a PCO2 e diminuindo aPO2, (lei de Boyle, quanto menor a pressão maior o volume), o volume pulmonar se expande e a PO2 cai violentamente não proporcionando condições de saturar a hemoglobina, o O2 volta para dentro dos alvéolos, como a PCO2 aumentou da mesma forma que a PO2 abaixou, o mergulhador pode perder a consciência, o SNC desliga literalmente o mergulhador antes de chegar à superfície.


Segundo McArdle,
“Outros dois aspectos fisiológicos devem ser considerados ao determinar os riscos da hiperventilação”:

a) Uma quantidade normal de dióxido de carbono arterial é necessária para manter o equilíbrio ácido-básico do sangue. Isso é mediado pela liberação de H+ (íons de hidrogênio) quando o ácido carbônico é formado por dióxido de carbono e água. Ao reduzir o dióxido de carbono do sangue pela hiperventilação, a concentração de H+ diminui, acarretando um desvio do Ph do sangue na direção de uma maior alcalinidade.

b) A manutenção de um nível menor da PCO2 arterial proporciona um estímulo contínuo para a dilatação das pequenas artérias cerebrais. A redução significativa do dióxido de carbono arterial durante a hiperventilação pode reduzir o fluxo sangüíneo cerebral e causar vertigem ou até mesmo a perda da consciência, criando assim uma situação perigosa na água.

Autor: Christian Dequeker - profissional de Educação Física e Apneísta


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