
História
do Corpo de Bombeiros
de São Paulo
Esta
é uma história
que começou há
dois séculos, o
espírito de sacrifício,
a coragem, a vontade de
ajudar o próximo
e o heroísmo, são
os principais ingredientes.
Hoje,
a moderna tecnologia somada
àquelas virtudes,
ao trabalho muitas vezes
anônimo, porém
simplesmente imprescindível
do bombeiro, continua
a escrever páginas
recheadas de belos exemplos
de dedicação,
eficiência e profissionalismo
do Corpo de Bombeiros
da Policia Militar do
Estado de São Paulo.
No
Brasil, em 2 de Julho
de 1856, no Rio de Janeiro,
foi criado o Corpo de
Bombeiros da Corte.
Em
São Paulo, no ano
de 1874, foi feita a primeira
tentativa de estabelecimento
de um serviço de
bombeiros agregados à
Companhia de Urbanos (Guardas-civis),
tendo como efetivo 10
homens, que foram adestrados
para a função;
foram comprados baldes
de couro, machadinhas
e um saco salva-vidas;
o efetivo foi contratado
junto à Corte.
Como a lei não
estabelecia qual era a
prioridade dos Urbanos,
se policiamento ou combate
a incêndios, logo
esta função
foi abandonada, e os bombeiros
designados para policiamento
das ruas. As autoridades
da época não
se conscientizaram da
necessidade do serviço
e a cidade continuou sob
o risco de uma tragédia.
A
criação
da instituição
se deu no ano de 1880,
depois de um incêndio
na Faculdade de Direito,
que funcionava no Convento
de São Francisco
hoje Faculdade de Direito
do Largo São Francisco.
Na época, apesar
da cidade de São
Paulo ser rica e estar
em franco desenvolvimento,
não contavam com
o serviço de bombeiros;
este serviço era
executado pelo Corpo Policial,
sendo auxiliados por civis
em caso de necessidade;
não havia equipamento
próprio para o
combate a incêndio,
sendo que as duas bombas
manuais usadas eram emprestadas
de terceiros.
O
incêndio no Convento
de São Francisco
ocorreu no dia 15 de Fevereiro
de 1880, destruindo a
biblioteca e o arquivo
geral; no dia seguinte,
o deputado Ferreira Braga
propôs a criação
de uma Seção
de Bombeiros, vinculada
à Companhia dos
Urbanos, sendo a lei votada
e aprovada, publicada
em 10 de Março
de 1880. O serviço
de bombeiros recomeçava
de modo incipiente, e
de acordo com os historiadores
a única diferença
da tentativa anterior
era que, agora os bombeiros
tinham existência
oficial. Do efetivo ao
equipamento, tudo ainda
era insuficiente e inadequado
para uma cidade, que já
dava ares de metrópole.
Em 1881, com a inauguração
do sistema de águas
da capital, foram implantadas
diversas válvulas
para auxiliar o serviço
dos bombeiros, e esses
passaram a dedicar-se
exclusivamente ao treinamento
e a função
de bombeiro.
A
instituição
começou a se consolidar
em 1882, quando o decreto
nº 42, que dispunha
sobre a composição
e efetivos das forças
policiais, estabeleceu
que seriam formadas pelos:
Corpo Policial Permanente,
Companhia de Urbanos e
Seção de
Bombeiros; embora ainda
fossem parte dos Urbanos,
foram citados de forma
independente. Outro fato
deu-se em 1883 com a substituição
do tenente comandante
da Seção
por um oficial pertencente
aos Permanentes, e logo
em seguida sendo substituído
por Alfredo José
Martins de Araújo,
vindo do Corpo de Bombeiros
da Corte.
Em
1886 dois fatos que ocorreram
foram importantes para
a Seção
de Bombeiros:
1.
Publicação
do Código de
Posturas: Previa-se
dentre outras coisas,
que os encarregados
dos sinos das igrejas
dessem o alarme quando
soubessem de um incêndio;
avisos falsos seriam
punidos com pesadas
multas e prisão;
os aguadeiros (transportadores
de pipas) tinham, por
força da lei,
de comparecer ao local
do sinistro, e os poços
ficariam franqueados
aos bombeiros. O Código
também premiava
em dinheiro aqueles
que, em não sendo
bombeiros, tivessem
o melhor desempenho
em caso de incêndio.
2. Visita de Inspeção
do Imperador: Houve
a visita do próprio
Imperador Dom Pedro
II, que assistiu a uma
demonstração
da Seção
e a desaprovou.
Foram
tomadas diversas providências
no sentido de melhorar
a Seção
de Bombeiros; foram elaborados
relatórios identificando
o que precisava ser feito,
e não era pouco.
O efetivo estava muito
longe do ideal e recebendo
péssimos salários;
faltava material mais
moderno, maquinista para
a operação
de bomba, cocheiros e
animais. Os bombeiros
não tinham nenhum
tipo de amparo em caso
de acidentes.
A
partir de 1887, a corporação
começaria a receber
uma boa quantidade de
equipamentos, onde se
incluía a primeira
bomba a vapor "MERRYWATHER
GREENWICH"; foi autorizado
o aumento do número
de integrantes para 30
homens e a construção
de um aquartelamento apropriado.
E as melhorias continuaram
em 1890, quando o número
de integrantes foi aumentado
para 64 homens e novos
equipamentos comprados;
o tenente Alfredo José
Martins Araújo
promovido a capitão.
Ficou, estabelecido por
decreto, a cobrança
de um imposto sobre as
seguradoras que operavam
na cidade como uma forma
de se buscar recursos
para o custeio da Corporação.
No
ano seguinte, 1891, houve
um brusco aumento no efetivo,
que saltou de 64 para
168 homens e as conseqüências
foram desastrosas, já
que se deu de forma muito
rápida sem tempo
necessário para
o treinamento e instrução
dos novos bombeiros; a
qualidade dos serviços
prestados caiu, evidenciando
o estado de despreparo
em que se encontrava a
agora Companhia de Bombeiros,
gerando conflitos com
os Urbanos; esses fatores
foram responsáveis
pela má imagem
junto a população.
Em Outubro do mesmo ano
assume o comando José
Maria O’Connel Jersey,
um rígido e disciplinado
oficial de engenharia
que tinha como missão
prioritária colocar
ordem no caos que havia
se estabelecido, e ele
faria um excelente serviço:
dissolveu a Companhia
e começou a sua
reorganização.
Em 14 de Novembro de 1891
é criado o Corpo
de Bombeiros, com um efetivo
de 240 homens selecionados
e adestrados num tempo
adequado. A companhia
Telefônica montou
50 aparelhos telefônicos
para agilizar o aviso
de incêndio; no
local da ocorrência
era utilizada a corneta
e nas ruas foi instalado
um sistema de alarme alemão
que só seria desativado
por volta de 1920. Com
um nível melhor
de instrução,
é admitido um número
condizente de homens,
divididos em especialidades,
havendo necessidade da
descentralização
dos serviços, sendo
solicitada a regulamentação
dos bombeiros ao Presidente
da Província.
A
Força Militar de
Policia passa, em 1892,
a se chamar Força
Policial e acaba por agregar
o Corpo de Bombeiros,
contando ainda com cinco
Batalhões de Infantaria
e um Corpo de Cavalaria,
acabando assim com a Companhia
de Urbanos. Com uma organização
eficiente, inspirada em
soluções
para problemas da cidade
que crescia, pode-se dizer
que já havia então
instalado um serviço
de bombeiros em São
Paulo. Em 17 de Outubro
de 1892, O’Connel
deixa o comando da Corporação.
Mesmo
com todas as melhorias
apresentadas ainda existiam
problemas, principalmente
no tocante às instalações
físicas. Em 1893,
o efetivo era de 205 homens
e no mesmo ano aumentou
para 323. Havia na época
um único e precário
quartel, sem condições
para abrigar os homens,
que se amontoavam por
cima dos materiais, dos
carros de tração
animal ou se espalhavam
pelo chão das oficinas.
O aumento da Estação
Central começaria
a se tornar algo mais
distante com a revogação
dos decretos para desapropriação
de imóveis na Rua
Boa Morte, onde se localizava.
Por mais três vezes
a edificação
foi reprogramada. Naquele
mesmo ano, a Corporação
participaria da Revolta
Armada, sua primeira missão
como tropa de guerra;
ela não estava
preparada para isso, pois
não era sua finalidade.
Com o aumento de homens,
composto de 40 integrantes,
surgiu a Banda de Música
em 1895.
Em
Abril de 1896 são
inauguradas 50 caixas
de aviso de incêndio,
chamadas “LINHAS
TELEGRÁFICAS DE
SINAES DE INCENDIO”,
com aproximadamente 70
quilômetros de extensão,
operadas por telegrafistas
civis graduados militarmente;
esse sistema representou
uma grande evolução,
mas não totalmente
eficiente, pois precisava
de aumento para zonas
da cidade totalmente desprovidas.
Os hidrantes disponíveis,
embora tenham aumentado
quantitativamente, ainda
eram insuficientes, e
a distância entre
eles dificultava a ação
dos bombeiros. Começam
a operar novos veículos
e materiais, grande parte
adquirida em 1895, e também
estavam em funcionamento
as oficinas de Carpinteiro,
Correieiro e Ferreiro.
A Força Policial
do Estado é reorganizada
em três corporações,
sendo que o Corpo de Bombeiros
passa a fazer parte da
Brigada Policial, juntamente
com a Infantaria e a Cavalaria.
São realizadas
as reformas e ampliações
nas instalações,
que melhoram em muito
com a inauguração
das estações
do Norte e Oeste, em 1895.
Guardadas as devidas proporções,
esta foi uma das melhores
fases dos bombeiros, um
dos raros períodos
em que o aumento do número
de postos estava correspondendo
ao crescimento da cidade.
Em 1897, o efetivo somava
373 homens, mais a Banda
de Música, e o
pessoal era dividido em
especializações.
Em
1906, chega ao Brasil,
a Missão Francesa,
com a incumbência
de instruir e militarizar
a Força Pública,
que aglutinava a Força
Policial, a Companhia
de Cívicos da Capital
e o Corpo de Bombeiros.
O verdadeiro intuito dessa
Missão era fazer
com que a Força
Pública se tornasse
sustentáculo da
“política
dos governantes”,
mas uma das suas conseqüências
para os bombeiros foi
a transferência
para o Corpo dos elementos
considerados “maus
militares”. O pessoal
lucrou mais indiretamente
com a presença
da Missão, no que
diz respeito à
organização
e amparo (assistência
médico-hospitalar
e aposentadoria, entre
outros). A Estação
Central continuava a precisar
de reformas ou mudança
de endereço, pois
ficava em uma rua estreita
que dificultava a rapidez
no atendimento aos incêndios,
e era acanhada para acomodar
pessoal e material, também
já insuficiente.
São adquiridas
quatro bicicletas para
a Seção
de Ciclistas, que fariam
a ronda e primeiro atendimento
numa ocorrência,
o que trouxe excelentes
resultados. Em 1907, houve
uma atuação
legal preventiva, com
a aplicação
de multas para tentar
reprimir sinistros causados
por excesso de fuligem.
Dois anos depois foi distribuído
para os bombeiros o seu
primeiro manual, “Instruções
para o Serviço
de Incêndio”.
Em
1910, foram adquiridos
da Inglaterra os primeiros
veículos automotores,
junto à empresa
MERRYWEATHER&SONS,
no total de seis (três
para combate ao fogo),
a serem entregues em 1911,
ano em que foi completamente
inaugurado o popular sistema
de alarme GAMEWELL americano,
com 146 caixas e que sob
manutenção
do Corpo funcionou por
mais de quatro décadas,
era o mais eficiente da
época. Com a chegada
dos autos (que eram complementados
pela tração
animal), foi eminente
o surgimento das oficinas
mecânicas, e esta
também foi a melhor
fase do abastecimento
de água (hidrantes).
O efetivo era de 461 homens,
em 1912, e no mês
de Dezembro foi iniciada
a construção
do novo edifício
central, e o serviço
de ciclistas passou a
ser utilizado apenas para
a transmissão de
ordens. O segundo manual
“Noções
Práticas do Serviço
de Bombeiros”, foi
publicado no Diário
Oficial, e foi confiada
ao bombeiro a operação
e a manutenção
da nova Assistência
Policial (sistema telegráfico
de alarme e atendimento
ao público). Os
bombeiros passavam por
um período bastante
razoável, de grande
prestigio; dois de seus
elementos, por exemplo,
comandavam os Corpos de
Bombeiros Municipais de
Campinas e Ribeirão
Preto. As instalações
físicas, entretanto,
ainda eram inadequadas
e em número pequeno,
em 1920 ainda não
estavam concluídas
as obras do Quartel Central
e as estações
Norte e Oeste precisavam
ser melhoradas. Todo o
material de tração
animal foi desativado
em 1921, porém,
com o desenfreado crescimento
da cidade, os automóveis
adquiridos não
eram suficientes; em meio
àquela perigosa
situação,
entra em cena a vontade
e a criatividade dos bombeiros.
Foram aproveitadas duas
bombas a vapor recém
aposentadas, e adaptadas
sobre dois chassis (Mercedes
Saurer e Fiat), e o Corpo
ganhou mais dois veículos;
um oficial chamado Affonso
Luiz Cianciulli (que mais
tarde chegaria a comandar
a instituição),
projetou e custeou do
próprio bolso o
desenvolvimento de uma
bomba, que se tornou o
primeiro equipamento de
combate a incêndios
fabricado no Brasil, batizado
de “Bomba
Independência”,
fez a sua apresentação
no desfile da Pátria
de 1922.
A
participação
na Revolução
de 24 é propulsora
de grandes transformações:
mostraram sêr tão
bons combatentes quanto
bombeiros, e isso fez
com que o governador Carlos
de Campos resolvesse reorganizar
o Corpo, fornecendo-lhe
instrução
militar e técnica,
agregando-o às
tropas combatentes. O
problema é que
muito tempo dos bombeiros
foi gasto para praticar
o manejo das armas, em
detrimento do preparo
para sua missão
original. Houve a elevação
a Batalhão de Bombeiros
Sapadores, sua nova denominação;
dispunha de bons homens,
o seu efetivo havia sido
aumentado com mais uma
Companhia e ganhou, inclusive,
um parque de artilharia.
Mesmo demonstrando sempre
o seu habitual valor,
os resultados não
poderiam ser outros; com
duas funções
completamente ambíguas,
a qualidade do serviço
deteriorou, bem como o
material de bombeiro.
A
Guarda Civil (ex-Companhia
de Urbanos e Companhia
de Guardas Cívicos)
reaparece em 1926 trazendo
reflexos negativos para
os bombeiros, isso porque,
em 1930, a Força
Pública perdeu
o seu caráter militarizado,
vindo a ter função
policial, atuando no interior,
enquanto a Guarda Civil
cuidava da capital e das
grandes cidades. Para
a milícia, as décadas
de 30 e 40 foram um período
de estagnação
que atingiu também
o serviço de bombeiros;
a situação
teria sido muito pior
não fossem dois
importantes acontecimentos:
Em 1929, ano em que foram
adquiridos novos materiais
e viaturas, e o comando
do tenente-coronel Affonso
Luiz Cianciulli, este
oficial mandou avaliar
aquelas aquisições
e viu que estavam quase
imprestáveis, em
parte pela pouca instrução
dos seus operadores. Coloca
então em atividade
caros aparelhos que estavam
em desuso e inventa um
dispositivo para salvamento
em altura, chamado CALC
(Cmt Affonso Luiz Cianciulli),
que substituiu os Davy
usados na tarefa. O comandante
foi responsável,
também, pela restauração
dos aparelhos pulmotores
“Drager” alemães;
desenhou o primeiro Auto
Salvação
do Corpo de Bombeiros
e defendeu a criação
de uma legislação
de combate e proteção
contra o fogo, principalmente
nos edifícios.
Desta maneira, Cianciulli
promoveu uma das maiores
evoluções,
tanto técnica como
organizacional, na historia
do serviço de bombeiros
em São Paulo.
O
nome Corpo de Bombeiros
voltaria em 1932, e até
1936 esteve sob a tutela
estadual, “parado
no tempo” , como
toda a Força Policial
(ex-Força Publica),
devido ao crescimento
da Guarda Civil e da Policia
Civil. Em 1936, o serviço
é transferido para
a municipalidade, por
três motivos: as
leis de proteção
só podem ser editadas
pelo município;
um incêndio não
é algo que exija
ações de
âmbito estadual;
e, por fim, não
era justo o Estado arcar
com as despesas de um
serviço prestado
apenas a algumas cidades.
Não foi uma boa
mudança, o próprio
prefeito Prestes Maia
dizia que preferia pagar
os prejuízos dos
incêndios a sustentar
o Corpo de Bombeiros.
Entre os poucos progressos
da época estão
um novo manual, intitulado
“Regulamento de
Instruções
sobre os Serviços
de Bombeiros” e
a compra de dois veículos.
O
problema das instalações
físicas continuava
e a lei de transferência
dos bombeiros para o município
não fora regulamentada,
ficando confusa a situação
do pessoal e isso fomentou
uma pressão para
o retorno ao Estado. O
Corpo de Bombeiros foi
definitivamente incorporado
à Força
Policial do Estado em
1942, e a prefeitura deveria
pagar uma quantia para
custear a despesa com
pessoal, material e outros
serviços. Ficou
acertado que o Estado
cobriria o que ultrapassasse
em gastos.
Os
bombeiros começaram
a se expandir para o interior
em 1943, através
de acordos com os municípios,
iniciando um processo
de organização
em nível estadual,
no efetivo constavam nessa
época 1.212 homens.
Durante os anos em que
esteve sob custódia
municipal, esse pessoal
não auferiu das
vantagens sociais obtidas
pela Força Pública,
sendo preciso um decreto
específico para
a sua inclusão
nos benefícios;
um outro decreto lei,
de 1944, proibiu a fixação
de cargos civis no efetivo,
prejudicando principalmente
as oficinas que empregavam
muitos civis; começava
também uma certa
dificuldade no preenchimento
de vagas, levando o comando
a pedir um aumento de
salário diferenciado
para os bombeiros.
Com
o objetivo de reorganizar
o Corpo de Bombeiros é
nomeada, em Agosto de
1946, uma comissão
da qual fazia parte o
coronel Índio do
Brasil. Dentro desse mesmo
propósito, mas
já com um forte
sentimento separatista,
vários oficiais
visitavam cidades do interior
do Estado, reunindo subsídios
para arquitetar a criação
do Corpo de Bombeiros
do Estado de São
Paulo, sem ligação
com a policia; aliás,
o desejo de autonomia
vinha crescendo entre
os bombeiros desde 1942,
como conseqüência
de sensíveis melhorias
introduzidas nos diversos
cursos de formação
de quadros da milícia
estadual, incutindo um
maior profissionalismo
na tropa para as suas
funções.
A
possibilidade da guerra
que consumia o mundo chegar
ao País era enorme
e o tipo de instrução
da Força Pública
(que voltara a se chamar
assim) alterou-se, visando
mais as operações
militares que policiais;
isso desagradava aos bombeiros,
cujos propósitos
se já eram diferentes
da função
policial, quanto mais
da militar. De qualquer
modo, esses planos, que
eram traçados em
segredo, acabaram sendo
descobertos. Era o final
da década de 40,
e terminado o conflito
mundial, a Força
Pública não
tinha mais objetivos militares.
Os bombeiros eram então
um grande trunfo para
quem procurava destinações
públicas, dispondo
de meios e infraestrutura
prontas para apoiar o
serviço policial
e também servia
para justificar despesas.
Em determinado momento,
parecia que a continuidade
da Força Pública
dependia do seu domínio
sobre o Corpo de Bombeiros.
Durante
o ano de 1946, reuniões
amadureciam o autonomismo,
ao mesmo tempo em que
surge em Jundiaí
o primeiro destacamento
do interior; pouco tempo
depois, o coronel Índio
do Brasil é passado
para a reserva por motivos
políticos, quando
ocupava o cargo de Comandante
Geral Interino da Força
Pública. O problema
é que os bombeiros
haviam atuado nas várias
greves incitadas pelos
partidos de oposição
(que agora tinham vencido
as eleições),
minimizando os efeitos
das paralisações
dos motorneiros, motoristas,
estivadores, etc. A demissão
do coronel foi uma represália
ao trabalho prestado pela
Corporação
à população;
mais tarde, os oficiais
separatistas foram transferidos
para localidades distantes
da capital, pondo fim
ao “Movimento para
Autonomia do Corpo de
Bombeiros”.
A
qualidade dos serviços
começou a cair,
como agravante, o novo
comandante era proveniente
do Regimento de Cavalaria,
não possuindo instrução
técnica nem experiência
suficiente, adotando procedimentos
incorretos, trouxe sérios
prejuízos para
os bombeiros. Houve colapso
das oficinas devido à
sobrecarga gerada com
o uso por toda a frota
policial, e também
o encerramento da Seção
de Alistamento. Em 1949,
as oficinas haviam sido
transferidas e proporcionaram
à Força
Pública a montagem
do seu Serviço
de Material Bélico.
Era para lá que
os carros do Corpo de
Bombeiros se dirigiam
quando precisavam de reparos,
impedindo a manutenção
imediata. As oficinas
foram restabelecidas apenas
em meados da década
de 50.
Graças
também às
visitas dos oficiais comprometidos
com a autonomia, acordos
foram fechados com várias
cidades, começando
a se consolidar os destacamentos
no interior, absorvendo
alguns bombeiros municipais.
Como um todo, no entanto,
havia muito que fazer,
especialmente na capital.
Não existia um
sistema de ligação
direta com o Departamento
de Irrigação
da Prefeitura, nem um
centro técnico-estatístico-educacional,
que fornecesse base tanto
para aprimorar a instrução
profissional quanto para
melhorar a organização,
ou um curso para formar
oficiais de bombeiros.
Efetivo e equipamentos
continuavam inadequados
e operavam apenas as três
Estações,
localizadas sem nenhum
planejamento para uma
cidade que chegava a dois
milhões de habitantes.
Convivendo
com essas dificuldades,
o Corpo de Bombeiros procura
um melhor caminho e promove
a primeira viagem de um
oficial da unidade ao
exterior, em 1949, Geraldo
Teodoro da Silva foi aos
Estados Unidos em busca
de novos conhecimentos
e técnicas. Em
1952, outros países
são visitados,
das experiências
obtidas, mais a capacidade
de vários oficiais,
ressurge em 1954 os manuais
para instrução,
inclusive os específicos
(escadas, mangueiras,
acessórios, arrombamentos,
salvamento, etc.). O ultimo
datava de 1936 e encontrava-se
ultrapassado. Os cursos
para a formação
de bombeiros passam a
ser regulares e uma companhia
operacional passou a acumular
a função
de Companhia Escola de
Bombeiros. O numero de
estações
começa a crescer,
descentralizando os serviços;
na capital surgiram postos
em Pinheiros, Vila Prudente,
Lapa, de salvamento em
Interlagos e no Iate Clube
de Santo Amaro, entre
outros. O aeroporto de
Congonhas também
ganha um posto, sendo
o primeiro aeroporto civil
brasileiro a contar com
tal serviço. No
interior, os bombeiros
se fazem presentes em
Araraquara, Bauru, São
Carlos, Piracicaba, Jundiaí,
São Jose do Rio
Preto, Santo André,
Santos, Campinas e Ribeirão
Preto. O único
parêntese é
que essas instalações
foram erguidas muitas
vezes adaptando-se residências
ou fábricas, sem
uma destinação
especifica. A expansão
do Corpo de Bombeiros
era alvo de preocupações
para o comando da Força
Pública, sempre
apegado na idéia
de manter a Corporação
sob seu controle, dessa
forma, decide que as guarnições
instaladas em cidades
importantes, como Santos,
Campinas e o ABC, seriam
separadas ou transformadas
em Companhias Independentes
de Bombeiros, e sob a
autoridade direta do comandante
policial e não
bombeiro foi uma situação
que em muitos casos perdurou
até 1975.
Em
1955, é inaugurada
a rede de rádio,
facilitando a comunicação
entre as viaturas e o
quartel (que informava
o melhor caminho e a evolução
da ocorrência),
centralizava os pedidos
e os distribuía
de forma racional entre
os postos. Um ano depois
foram eliminadas as caixas
de alarme, mas não
houve uma preocupação
suficiente com o sistema
sucessor, no caso o telefone;
haviam poucos aparelhos
e o numero não
era de fácil memorização;
só 23 anos mais
tarde seria adotado o
193. Os hidrantes, por
serem poucos, caíram
em desuso e no seu lugar
empregavam-se jamantas
e carros- tanques; houve
uma grande importação
de viaturas e equipamentos,
pois a existência
de normas e padrões
impediam a sua fabricação
no Brasil.
Após
o famoso incêndio
no Clube Elite 28 de Setembro,
onde vieram a falecer
cerca de 50 pessoas, novos
equipamentos foram comprados
na Alemanha e na Holanda.
Os meados da década
de 50 representaram uma
fase excelente no que
diz respeito à
instrução
e especialização
do pessoal (ainda que
insuficiente), excetuando-se
os oficiais, que aprendiam
de acordo com seus interesses,
existiam as especialidades
de Motoristas de Bombeiros,
Telegrafistas, Válvulas,
Salvação
e até um curso
de Bombeiros Auxiliares
para civis; mesmo com
toda esta evolução,
no final de 1960 o serviço
ainda precisava de melhorias.
Um
ano depois, uma forte
crise afetou toda a Força
Pública, marcando
profundamente o Corpo
de Bombeiros; em janeiro
de 1961, foi derrotado
na Assembléia Legislativa
um projeto que concedia
aumentos salariais para
toda a Força, levando
tenentes dos bombeiros
a iniciarem uma greve
que paralisou os serviços
por quase 24 horas; os
salários eram “de
fome”, e a existência
de uma caixa de reclamações
em um dos comandos incentivou
a quebra da disciplina;
os oficiais manifestantes
foram transferidos para
o interior, interrompendo
o fluxo de conhecimentos
transmitidos pelos mais
velhos aos mais jovens.
Anos mais tarde, alguns
bombeiros antigos retornaram
e outros mais novos evoluíram,
recuperando-se a qualidade
pessoal. Juntam-se aí
as melhorias do Curso
de Bombeiros para Oficiais
e a inauguração
da Companhia Escola em
1964.
No
inicio da década
de 60, o Corpo de Bombeiros
passou a exigir a instalação
de hidrantes e extintores
nos edifícios;
a obediência a essas
regras era garantida pelo
Departamento de Água
e Esgotos do Estado de
São Paulo, atual
SABESP, que não
fornecia água para
o consumo, caso o projeto
não fosse aprovado
pela Corporação.
Em 1967 a Estação
Central (localizada à
Praça Clovis Beviláqua)
é demolida para
edificação
de uma nova, concluída
somente em 1975; a rotina
administrativa ficou prejudicada,
pois o Comando ficou itinerante
por 18 anos, somando-se
a isso mais dois agravantes:
o aumento do tempo de
aposentadoria de 25 para
30 anos; os oficiais que
já haviam completado
25 anos de trabalho se
aposentaram, interrompendo
mais uma vez a transmissão
de valiosas experiências.
Em seguida, são
extintas de forma indiscriminada
as especialidades, permanecendo
apenas a de salvamento
e em numero limitado.
Mesmo
com a criação
da Companhia Escola e
a compra de equipamentos,
os bombeiros ainda não
estavam em condições
para atender São
Paulo nas dimensões
em que a cidade se encontrava
na década de 70,
e isso ficaria provado
com alguns catastróficos
incêndios, como
os dos edifícios
Andraus (1972) e Joelma
(1974). Além das
deficiências da
Corporação
em si, a legislação
preventiva continuava
falha, com um Código
de Obras dos anos 30.
Após
o ocorrido no Andraus,
foi elaborado um plano
trienal de melhorias,
entretanto, tudo ficou
mais uma vez nas intenções.
As autoridades só
seriam sensibilizadas
com a demonstração
de coragem sobrenatural
dos bombeiros, tentando
desesperadamente superar
a falta de tecnologia,
numa pavorosa manhã
de Fevereiro de 1974;
todo aquele desprendimento
não impediu que
quase duas centenas de
vidas fossem ceifadas
pelo incêndio do
edifício Joelma.
A cidade não poderia
ficar mais a mercê
das tragédias,
contando somente com a
dedicação
dos seus bombeiros; a
comoção
provocada pelo incêndio
levou o Governo Federal
a interferir, determinando
a reorganização
da Corporação;
foi instituída
uma comissão para
estudar a situação,
aproveitando-se os apontamentos
feitos em 1972. O resultado
desse trabalho foi intitulado
“Anteprojeto para
Organização
do Corpo de Bombeiros
do Estado de São
Paulo”; neste documento
estava pleiteada a criação
de um só Bombeiro
para todo o Estado, a
regulamentação
dos serviços, o
surgimento de quadros
profissionalizantes e
meios que garantissem
a implantação
do sistema. Estavam inseridos
ali a autonomia na sua
área de atuação,
um treinamento diferenciado
para o pessoal, recursos
próprios e uma
rígida política
de prevenção,
reafirmando a finalidade
máxima dos bombeiros.
Realmente,
uma reestruturação
foi feita em 1975, porém,
diferente daquela preconizada,
o efetivo aumentou, mas
com resultados semelhantes
aos de 1891, já
que não voltaram
os especialistas e o tempo
para treinamento era curto.
Aos poucos, esses problemas
foram se atenuando, principalmente
em função
do novo Curso de Bombeiros
para Oficiais, realizado
em conjunto com a Faculdade
de Tecnologia (FATEC).
Quanto aos equipamentos,
são importados
auto-bombas, auto-escadas,
auto-snorkel, veículos
de comando e apoio; todas
as viaturas operacionais
passam a contar com rádio.
Em 1979 ressurgem os manuais
divididos por assuntos
específicos. No
mesmo ano foi lavrado
um convênio entre
o Estado e a Prefeitura
de São Paulo, mais
consciente de sua responsabilidade,
após o acontecido
no Joelma; até
então, ela limitara-se
a pagar ao Estado a irrisória
quantia anual firmada
em 1942.
1973
- É criado o
2º Grupamento de
Busca e Salvamento,
na zona sul da capital.
1974
- Em 01 de fevereiro
ocorre o incêndio
do Edifício Joelma
de 23 andares, onde
189 pessoas morrem;
o Corpo de Bombeiros
envia ao local 26 viaturas
e 318 bombeiros. É
criado o 1º Grupamento
de Busca e Salvamento,
na área central
da Capital.
1975
- Ocorre a preconizada
reestruturação
dos serviços
de bombeiros. Em razão
do incêndio do
Joelma, é publicado
o novo Código
de Obras de São
Paulo. É criado
o 9º Grupamento
de Incêndio, com
sede no município
de Ribeirão Preto.
1979 -
Entra em funcionamento
o 3º Sistema de
Alarmes, o telefone
193. É firmado
convênio entre
o Estado e a Prefeitura.
Médicos do Hospital
das Clínicas
da USP preocupados com
a alta mortalidade nos
Pronto-Socorros, produzidas
pela ineficiência
e inadequação
do atendimento pré-hospitalar
e transporte de vítimas,
começam a se
interessar no gerenciamento
do atendimento das emergências
em geral.
1981 -
Em 14 de fevereiro,
ocorre um incêndio
na Av. Paulista, no
edifício Grande
Avenida de 23 andares;
o Corpo de Bombeiros
envia ao local 20 viaturas
e 300 bombeiros, 17
pessoas morrem e 53
são feridas,
entre elas 11 bombeiros
e 10 do efetivo do Comando
de Operações
Especiais da PM.
1983
- É oficializado
pela Secretaria Estadual
da Saúde a CRAP
- Comissão de
Recursos Assistenciais
de Pronto Socorro, com
a participação
de inúmeros órgãos
ligados ao atendimento
das vítimas,
contando com a partuicipação
do Corpo de Bombeiros.
1985 -
É criado o 3º
Grupamento de Busca
e Sa