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História do Corpo de Bombeiros de São Paulo

Esta é uma história que começou há dois séculos, o espírito de sacrifício, a coragem, a vontade de ajudar o próximo e o heroísmo, são os principais ingredientes.

Hoje, a moderna tecnologia somada àquelas virtudes, ao trabalho muitas vezes anônimo, porém simplesmente imprescindível do bombeiro, continua a escrever páginas recheadas de belos exemplos de dedicação, eficiência e profissionalismo do Corpo de Bombeiros da Policia Militar do Estado de São Paulo.

No Brasil, em 2 de Julho de 1856, no Rio de Janeiro, foi criado o Corpo de Bombeiros da Corte.

Em São Paulo, no ano de 1874, foi feita a primeira tentativa de estabelecimento de um serviço de bombeiros agregados à Companhia de Urbanos (Guardas-civis), tendo como efetivo 10 homens, que foram adestrados para a função; foram comprados baldes de couro, machadinhas e um saco salva-vidas; o efetivo foi contratado junto à Corte. Como a lei não estabelecia qual era a prioridade dos Urbanos, se policiamento ou combate a incêndios, logo esta função foi abandonada, e os bombeiros designados para policiamento das ruas. As autoridades da época não se conscientizaram da necessidade do serviço e a cidade continuou sob o risco de uma tragédia.

A criação da instituição se deu no ano de 1880, depois de um incêndio na Faculdade de Direito, que funcionava no Convento de São Francisco hoje Faculdade de Direito do Largo São Francisco. Na época, apesar da cidade de São Paulo ser rica e estar em franco desenvolvimento, não contavam com o serviço de bombeiros; este serviço era executado pelo Corpo Policial, sendo auxiliados por civis em caso de necessidade; não havia equipamento próprio para o combate a incêndio, sendo que as duas bombas manuais usadas eram emprestadas de terceiros.

O incêndio no Convento de São Francisco ocorreu no dia 15 de Fevereiro de 1880, destruindo a biblioteca e o arquivo geral; no dia seguinte, o deputado Ferreira Braga propôs a criação de uma Seção de Bombeiros, vinculada à Companhia dos Urbanos, sendo a lei votada e aprovada, publicada em 10 de Março de 1880. O serviço de bombeiros recomeçava de modo incipiente, e de acordo com os historiadores a única diferença da tentativa anterior era que, agora os bombeiros tinham existência oficial. Do efetivo ao equipamento, tudo ainda era insuficiente e inadequado para uma cidade, que já dava ares de metrópole. Em 1881, com a inauguração do sistema de águas da capital, foram implantadas diversas válvulas para auxiliar o serviço dos bombeiros, e esses passaram a dedicar-se exclusivamente ao treinamento e a função de bombeiro.

A instituição começou a se consolidar em 1882, quando o decreto nº 42, que dispunha sobre a composição e efetivos das forças policiais, estabeleceu que seriam formadas pelos: Corpo Policial Permanente, Companhia de Urbanos e Seção de Bombeiros; embora ainda fossem parte dos Urbanos, foram citados de forma independente. Outro fato deu-se em 1883 com a substituição do tenente comandante da Seção por um oficial pertencente aos Permanentes, e logo em seguida sendo substituído por Alfredo José Martins de Araújo, vindo do Corpo de Bombeiros da Corte.

Em 1886 dois fatos que ocorreram foram importantes para a Seção de Bombeiros:

1. Publicação do Código de Posturas: Previa-se dentre outras coisas, que os encarregados dos sinos das igrejas dessem o alarme quando soubessem de um incêndio; avisos falsos seriam punidos com pesadas multas e prisão; os aguadeiros (transportadores de pipas) tinham, por força da lei, de comparecer ao local do sinistro, e os poços ficariam franqueados aos bombeiros. O Código também premiava em dinheiro aqueles que, em não sendo bombeiros, tivessem o melhor desempenho em caso de incêndio.

2. Visita de Inspeção do Imperador: Houve a visita do próprio Imperador Dom Pedro II, que assistiu a uma demonstração da Seção e a desaprovou.

Foram tomadas diversas providências no sentido de melhorar a Seção de Bombeiros; foram elaborados relatórios identificando o que precisava ser feito, e não era pouco. O efetivo estava muito longe do ideal e recebendo péssimos salários; faltava material mais moderno, maquinista para a operação de bomba, cocheiros e animais. Os bombeiros não tinham nenhum tipo de amparo em caso de acidentes.

A partir de 1887, a corporação começaria a receber uma boa quantidade de equipamentos, onde se incluía a primeira bomba a vapor "MERRYWATHER GREENWICH"; foi autorizado o aumento do número de integrantes para 30 homens e a construção de um aquartelamento apropriado. E as melhorias continuaram em 1890, quando o número de integrantes foi aumentado para 64 homens e novos equipamentos comprados; o tenente Alfredo José Martins Araújo promovido a capitão. Ficou, estabelecido por decreto, a cobrança de um imposto sobre as seguradoras que operavam na cidade como uma forma de se buscar recursos para o custeio da Corporação.

No ano seguinte, 1891, houve um brusco aumento no efetivo, que saltou de 64 para 168 homens e as conseqüências foram desastrosas, já que se deu de forma muito rápida sem tempo necessário para o treinamento e instrução dos novos bombeiros; a qualidade dos serviços prestados caiu, evidenciando o estado de despreparo em que se encontrava a agora Companhia de Bombeiros, gerando conflitos com os Urbanos; esses fatores foram responsáveis pela má imagem junto a população. Em Outubro do mesmo ano assume o comando José Maria O’Connel Jersey, um rígido e disciplinado oficial de engenharia que tinha como missão prioritária colocar ordem no caos que havia se estabelecido, e ele faria um excelente serviço: dissolveu a Companhia e começou a sua reorganização. Em 14 de Novembro de 1891 é criado o Corpo de Bombeiros, com um efetivo de 240 homens selecionados e adestrados num tempo adequado. A companhia Telefônica montou 50 aparelhos telefônicos para agilizar o aviso de incêndio; no local da ocorrência era utilizada a corneta e nas ruas foi instalado um sistema de alarme alemão que só seria desativado por volta de 1920. Com um nível melhor de instrução, é admitido um número condizente de homens, divididos em especialidades, havendo necessidade da descentralização dos serviços, sendo solicitada a regulamentação dos bombeiros ao Presidente da Província.

A Força Militar de Policia passa, em 1892, a se chamar Força Policial e acaba por agregar o Corpo de Bombeiros, contando ainda com cinco Batalhões de Infantaria e um Corpo de Cavalaria, acabando assim com a Companhia de Urbanos. Com uma organização eficiente, inspirada em soluções para problemas da cidade que crescia, pode-se dizer que já havia então instalado um serviço de bombeiros em São Paulo. Em 17 de Outubro de 1892, O’Connel deixa o comando da Corporação.

Mesmo com todas as melhorias apresentadas ainda existiam problemas, principalmente no tocante às instalações físicas. Em 1893, o efetivo era de 205 homens e no mesmo ano aumentou para 323. Havia na época um único e precário quartel, sem condições para abrigar os homens, que se amontoavam por cima dos materiais, dos carros de tração animal ou se espalhavam pelo chão das oficinas. O aumento da Estação Central começaria a se tornar algo mais distante com a revogação dos decretos para desapropriação de imóveis na Rua Boa Morte, onde se localizava. Por mais três vezes a edificação foi reprogramada. Naquele mesmo ano, a Corporação participaria da Revolta Armada, sua primeira missão como tropa de guerra; ela não estava preparada para isso, pois não era sua finalidade. Com o aumento de homens, composto de 40 integrantes, surgiu a Banda de Música em 1895.

Em Abril de 1896 são inauguradas 50 caixas de aviso de incêndio, chamadas “LINHAS TELEGRÁFICAS DE SINAES DE INCENDIO”, com aproximadamente 70 quilômetros de extensão, operadas por telegrafistas civis graduados militarmente; esse sistema representou uma grande evolução, mas não totalmente eficiente, pois precisava de aumento para zonas da cidade totalmente desprovidas. Os hidrantes disponíveis, embora tenham aumentado quantitativamente, ainda eram insuficientes, e a distância entre eles dificultava a ação dos bombeiros. Começam a operar novos veículos e materiais, grande parte adquirida em 1895, e também estavam em funcionamento as oficinas de Carpinteiro, Correieiro e Ferreiro. A Força Policial do Estado é reorganizada em três corporações, sendo que o Corpo de Bombeiros passa a fazer parte da Brigada Policial, juntamente com a Infantaria e a Cavalaria. São realizadas as reformas e ampliações nas instalações, que melhoram em muito com a inauguração das estações do Norte e Oeste, em 1895. Guardadas as devidas proporções, esta foi uma das melhores fases dos bombeiros, um dos raros períodos em que o aumento do número de postos estava correspondendo ao crescimento da cidade. Em 1897, o efetivo somava 373 homens, mais a Banda de Música, e o pessoal era dividido em especializações.

Em 1906, chega ao Brasil, a Missão Francesa, com a incumbência de instruir e militarizar a Força Pública, que aglutinava a Força Policial, a Companhia de Cívicos da Capital e o Corpo de Bombeiros. O verdadeiro intuito dessa Missão era fazer com que a Força Pública se tornasse sustentáculo da “política dos governantes”, mas uma das suas conseqüências para os bombeiros foi a transferência para o Corpo dos elementos considerados “maus militares”. O pessoal lucrou mais indiretamente com a presença da Missão, no que diz respeito à organização e amparo (assistência médico-hospitalar e aposentadoria, entre outros). A Estação Central continuava a precisar de reformas ou mudança de endereço, pois ficava em uma rua estreita que dificultava a rapidez no atendimento aos incêndios, e era acanhada para acomodar pessoal e material, também já insuficiente. São adquiridas quatro bicicletas para a Seção de Ciclistas, que fariam a ronda e primeiro atendimento numa ocorrência, o que trouxe excelentes resultados. Em 1907, houve uma atuação legal preventiva, com a aplicação de multas para tentar reprimir sinistros causados por excesso de fuligem. Dois anos depois foi distribuído para os bombeiros o seu primeiro manual, “Instruções para o Serviço de Incêndio”.

Em 1910, foram adquiridos da Inglaterra os primeiros veículos automotores, junto à empresa MERRYWEATHER&SONS, no total de seis (três para combate ao fogo), a serem entregues em 1911, ano em que foi completamente inaugurado o popular sistema de alarme GAMEWELL americano, com 146 caixas e que sob manutenção do Corpo funcionou por mais de quatro décadas, era o mais eficiente da época. Com a chegada dos autos (que eram complementados pela tração animal), foi eminente o surgimento das oficinas mecânicas, e esta também foi a melhor fase do abastecimento de água (hidrantes). O efetivo era de 461 homens, em 1912, e no mês de Dezembro foi iniciada a construção do novo edifício central, e o serviço de ciclistas passou a ser utilizado apenas para a transmissão de ordens. O segundo manual “Noções Práticas do Serviço de Bombeiros”, foi publicado no Diário Oficial, e foi confiada ao bombeiro a operação e a manutenção da nova Assistência Policial (sistema telegráfico de alarme e atendimento ao público). Os bombeiros passavam por um período bastante razoável, de grande prestigio; dois de seus elementos, por exemplo, comandavam os Corpos de Bombeiros Municipais de Campinas e Ribeirão Preto. As instalações físicas, entretanto, ainda eram inadequadas e em número pequeno, em 1920 ainda não estavam concluídas as obras do Quartel Central e as estações Norte e Oeste precisavam ser melhoradas. Todo o material de tração animal foi desativado em 1921, porém, com o desenfreado crescimento da cidade, os automóveis adquiridos não eram suficientes; em meio àquela perigosa situação, entra em cena a vontade e a criatividade dos bombeiros. Foram aproveitadas duas bombas a vapor recém aposentadas, e adaptadas sobre dois chassis (Mercedes Saurer e Fiat), e o Corpo ganhou mais dois veículos; um oficial chamado Affonso Luiz Cianciulli (que mais tarde chegaria a comandar a instituição), projetou e custeou do próprio bolso o desenvolvimento de uma bomba, que se tornou o primeiro equipamento de combate a incêndios fabricado no Brasil, batizado de “Bomba Independência”, fez a sua apresentação no desfile da Pátria de 1922.

A participação na Revolução de 24 é propulsora de grandes transformações: mostraram sêr tão bons combatentes quanto bombeiros, e isso fez com que o governador Carlos de Campos resolvesse reorganizar o Corpo, fornecendo-lhe instrução militar e técnica, agregando-o às tropas combatentes. O problema é que muito tempo dos bombeiros foi gasto para praticar o manejo das armas, em detrimento do preparo para sua missão original. Houve a elevação a Batalhão de Bombeiros Sapadores, sua nova denominação; dispunha de bons homens, o seu efetivo havia sido aumentado com mais uma Companhia e ganhou, inclusive, um parque de artilharia. Mesmo demonstrando sempre o seu habitual valor, os resultados não poderiam ser outros; com duas funções completamente ambíguas, a qualidade do serviço deteriorou, bem como o material de bombeiro.

A Guarda Civil (ex-Companhia de Urbanos e Companhia de Guardas Cívicos) reaparece em 1926 trazendo reflexos negativos para os bombeiros, isso porque, em 1930, a Força Pública perdeu o seu caráter militarizado, vindo a ter função policial, atuando no interior, enquanto a Guarda Civil cuidava da capital e das grandes cidades. Para a milícia, as décadas de 30 e 40 foram um período de estagnação que atingiu também o serviço de bombeiros; a situação teria sido muito pior não fossem dois importantes acontecimentos: Em 1929, ano em que foram adquiridos novos materiais e viaturas, e o comando do tenente-coronel Affonso Luiz Cianciulli, este oficial mandou avaliar aquelas aquisições e viu que estavam quase imprestáveis, em parte pela pouca instrução dos seus operadores. Coloca então em atividade caros aparelhos que estavam em desuso e inventa um dispositivo para salvamento em altura, chamado CALC (Cmt Affonso Luiz Cianciulli), que substituiu os Davy usados na tarefa. O comandante foi responsável, também, pela restauração dos aparelhos pulmotores “Drager” alemães; desenhou o primeiro Auto Salvação do Corpo de Bombeiros e defendeu a criação de uma legislação de combate e proteção contra o fogo, principalmente nos edifícios. Desta maneira, Cianciulli promoveu uma das maiores evoluções, tanto técnica como organizacional, na historia do serviço de bombeiros em São Paulo.

O nome Corpo de Bombeiros voltaria em 1932, e até 1936 esteve sob a tutela estadual, “parado no tempo” , como toda a Força Policial (ex-Força Publica), devido ao crescimento da Guarda Civil e da Policia Civil. Em 1936, o serviço é transferido para a municipalidade, por três motivos: as leis de proteção só podem ser editadas pelo município; um incêndio não é algo que exija ações de âmbito estadual; e, por fim, não era justo o Estado arcar com as despesas de um serviço prestado apenas a algumas cidades. Não foi uma boa mudança, o próprio prefeito Prestes Maia dizia que preferia pagar os prejuízos dos incêndios a sustentar o Corpo de Bombeiros. Entre os poucos progressos da época estão um novo manual, intitulado “Regulamento de Instruções sobre os Serviços de Bombeiros” e a compra de dois veículos.

O problema das instalações físicas continuava e a lei de transferência dos bombeiros para o município não fora regulamentada, ficando confusa a situação do pessoal e isso fomentou uma pressão para o retorno ao Estado. O Corpo de Bombeiros foi definitivamente incorporado à Força Policial do Estado em 1942, e a prefeitura deveria pagar uma quantia para custear a despesa com pessoal, material e outros serviços. Ficou acertado que o Estado cobriria o que ultrapassasse em gastos.

Os bombeiros começaram a se expandir para o interior em 1943, através de acordos com os municípios, iniciando um processo de organização em nível estadual, no efetivo constavam nessa época 1.212 homens. Durante os anos em que esteve sob custódia municipal, esse pessoal não auferiu das vantagens sociais obtidas pela Força Pública, sendo preciso um decreto específico para a sua inclusão nos benefícios; um outro decreto lei, de 1944, proibiu a fixação de cargos civis no efetivo, prejudicando principalmente as oficinas que empregavam muitos civis; começava também uma certa dificuldade no preenchimento de vagas, levando o comando a pedir um aumento de salário diferenciado para os bombeiros.

Com o objetivo de reorganizar o Corpo de Bombeiros é nomeada, em Agosto de 1946, uma comissão da qual fazia parte o coronel Índio do Brasil. Dentro desse mesmo propósito, mas já com um forte sentimento separatista, vários oficiais visitavam cidades do interior do Estado, reunindo subsídios para arquitetar a criação do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo, sem ligação com a policia; aliás, o desejo de autonomia vinha crescendo entre os bombeiros desde 1942, como conseqüência de sensíveis melhorias introduzidas nos diversos cursos de formação de quadros da milícia estadual, incutindo um maior profissionalismo na tropa para as suas funções.

A possibilidade da guerra que consumia o mundo chegar ao País era enorme e o tipo de instrução da Força Pública (que voltara a se chamar assim) alterou-se, visando mais as operações militares que policiais; isso desagradava aos bombeiros, cujos propósitos se já eram diferentes da função policial, quanto mais da militar. De qualquer modo, esses planos, que eram traçados em segredo, acabaram sendo descobertos. Era o final da década de 40, e terminado o conflito mundial, a Força Pública não tinha mais objetivos militares. Os bombeiros eram então um grande trunfo para quem procurava destinações públicas, dispondo de meios e infraestrutura prontas para apoiar o serviço policial e também servia para justificar despesas. Em determinado momento, parecia que a continuidade da Força Pública dependia do seu domínio sobre o Corpo de Bombeiros.

Durante o ano de 1946, reuniões amadureciam o autonomismo, ao mesmo tempo em que surge em Jundiaí o primeiro destacamento do interior; pouco tempo depois, o coronel Índio do Brasil é passado para a reserva por motivos políticos, quando ocupava o cargo de Comandante Geral Interino da Força Pública. O problema é que os bombeiros haviam atuado nas várias greves incitadas pelos partidos de oposição (que agora tinham vencido as eleições), minimizando os efeitos das paralisações dos motorneiros, motoristas, estivadores, etc. A demissão do coronel foi uma represália ao trabalho prestado pela Corporação à população; mais tarde, os oficiais separatistas foram transferidos para localidades distantes da capital, pondo fim ao “Movimento para Autonomia do Corpo de Bombeiros”.

A qualidade dos serviços começou a cair, como agravante, o novo comandante era proveniente do Regimento de Cavalaria, não possuindo instrução técnica nem experiência suficiente, adotando procedimentos incorretos, trouxe sérios prejuízos para os bombeiros. Houve colapso das oficinas devido à sobrecarga gerada com o uso por toda a frota policial, e também o encerramento da Seção de Alistamento. Em 1949, as oficinas haviam sido transferidas e proporcionaram à Força Pública a montagem do seu Serviço de Material Bélico. Era para lá que os carros do Corpo de Bombeiros se dirigiam quando precisavam de reparos, impedindo a manutenção imediata. As oficinas foram restabelecidas apenas em meados da década de 50.

Graças também às visitas dos oficiais comprometidos com a autonomia, acordos foram fechados com várias cidades, começando a se consolidar os destacamentos no interior, absorvendo alguns bombeiros municipais. Como um todo, no entanto, havia muito que fazer, especialmente na capital. Não existia um sistema de ligação direta com o Departamento de Irrigação da Prefeitura, nem um centro técnico-estatístico-educacional, que fornecesse base tanto para aprimorar a instrução profissional quanto para melhorar a organização, ou um curso para formar oficiais de bombeiros. Efetivo e equipamentos continuavam inadequados e operavam apenas as três Estações, localizadas sem nenhum planejamento para uma cidade que chegava a dois milhões de habitantes.

Convivendo com essas dificuldades, o Corpo de Bombeiros procura um melhor caminho e promove a primeira viagem de um oficial da unidade ao exterior, em 1949, Geraldo Teodoro da Silva foi aos Estados Unidos em busca de novos conhecimentos e técnicas. Em 1952, outros países são visitados, das experiências obtidas, mais a capacidade de vários oficiais, ressurge em 1954 os manuais para instrução, inclusive os específicos (escadas, mangueiras, acessórios, arrombamentos, salvamento, etc.). O ultimo datava de 1936 e encontrava-se ultrapassado. Os cursos para a formação de bombeiros passam a ser regulares e uma companhia operacional passou a acumular a função de Companhia Escola de Bombeiros. O numero de estações começa a crescer, descentralizando os serviços; na capital surgiram postos em Pinheiros, Vila Prudente, Lapa, de salvamento em Interlagos e no Iate Clube de Santo Amaro, entre outros. O aeroporto de Congonhas também ganha um posto, sendo o primeiro aeroporto civil brasileiro a contar com tal serviço. No interior, os bombeiros se fazem presentes em Araraquara, Bauru, São Carlos, Piracicaba, Jundiaí, São Jose do Rio Preto, Santo André, Santos, Campinas e Ribeirão Preto. O único parêntese é que essas instalações foram erguidas muitas vezes adaptando-se residências ou fábricas, sem uma destinação especifica. A expansão do Corpo de Bombeiros era alvo de preocupações para o comando da Força Pública, sempre apegado na idéia de manter a Corporação sob seu controle, dessa forma, decide que as guarnições instaladas em cidades importantes, como Santos, Campinas e o ABC, seriam separadas ou transformadas em Companhias Independentes de Bombeiros, e sob a autoridade direta do comandante policial e não bombeiro foi uma situação que em muitos casos perdurou até 1975.

Em 1955, é inaugurada a rede de rádio, facilitando a comunicação entre as viaturas e o quartel (que informava o melhor caminho e a evolução da ocorrência), centralizava os pedidos e os distribuía de forma racional entre os postos. Um ano depois foram eliminadas as caixas de alarme, mas não houve uma preocupação suficiente com o sistema sucessor, no caso o telefone; haviam poucos aparelhos e o numero não era de fácil memorização; só 23 anos mais tarde seria adotado o 193. Os hidrantes, por serem poucos, caíram em desuso e no seu lugar empregavam-se jamantas e carros- tanques; houve uma grande importação de viaturas e equipamentos, pois a existência de normas e padrões impediam a sua fabricação no Brasil.

Após o famoso incêndio no Clube Elite 28 de Setembro, onde vieram a falecer cerca de 50 pessoas, novos equipamentos foram comprados na Alemanha e na Holanda. Os meados da década de 50 representaram uma fase excelente no que diz respeito à instrução e especialização do pessoal (ainda que insuficiente), excetuando-se os oficiais, que aprendiam de acordo com seus interesses, existiam as especialidades de Motoristas de Bombeiros, Telegrafistas, Válvulas, Salvação e até um curso de Bombeiros Auxiliares para civis; mesmo com toda esta evolução, no final de 1960 o serviço ainda precisava de melhorias.

Um ano depois, uma forte crise afetou toda a Força Pública, marcando profundamente o Corpo de Bombeiros; em janeiro de 1961, foi derrotado na Assembléia Legislativa um projeto que concedia aumentos salariais para toda a Força, levando tenentes dos bombeiros a iniciarem uma greve que paralisou os serviços por quase 24 horas; os salários eram “de fome”, e a existência de uma caixa de reclamações em um dos comandos incentivou a quebra da disciplina; os oficiais manifestantes foram transferidos para o interior, interrompendo o fluxo de conhecimentos transmitidos pelos mais velhos aos mais jovens. Anos mais tarde, alguns bombeiros antigos retornaram e outros mais novos evoluíram, recuperando-se a qualidade pessoal. Juntam-se aí as melhorias do Curso de Bombeiros para Oficiais e a inauguração da Companhia Escola em 1964.

No inicio da década de 60, o Corpo de Bombeiros passou a exigir a instalação de hidrantes e extintores nos edifícios; a obediência a essas regras era garantida pelo Departamento de Água e Esgotos do Estado de São Paulo, atual SABESP, que não fornecia água para o consumo, caso o projeto não fosse aprovado pela Corporação. Em 1967 a Estação Central (localizada à Praça Clovis Beviláqua) é demolida para edificação de uma nova, concluída somente em 1975; a rotina administrativa ficou prejudicada, pois o Comando ficou itinerante por 18 anos, somando-se a isso mais dois agravantes: o aumento do tempo de aposentadoria de 25 para 30 anos; os oficiais que já haviam completado 25 anos de trabalho se aposentaram, interrompendo mais uma vez a transmissão de valiosas experiências. Em seguida, são extintas de forma indiscriminada as especialidades, permanecendo apenas a de salvamento e em numero limitado.

Mesmo com a criação da Companhia Escola e a compra de equipamentos, os bombeiros ainda não estavam em condições para atender São Paulo nas dimensões em que a cidade se encontrava na década de 70, e isso ficaria provado com alguns catastróficos incêndios, como os dos edifícios Andraus (1972) e Joelma (1974). Além das deficiências da Corporação em si, a legislação preventiva continuava falha, com um Código de Obras dos anos 30.

Após o ocorrido no Andraus, foi elaborado um plano trienal de melhorias, entretanto, tudo ficou mais uma vez nas intenções. As autoridades só seriam sensibilizadas com a demonstração de coragem sobrenatural dos bombeiros, tentando desesperadamente superar a falta de tecnologia, numa pavorosa manhã de Fevereiro de 1974; todo aquele desprendimento não impediu que quase duas centenas de vidas fossem ceifadas pelo incêndio do edifício Joelma. A cidade não poderia ficar mais a mercê das tragédias, contando somente com a dedicação dos seus bombeiros; a comoção provocada pelo incêndio levou o Governo Federal a interferir, determinando a reorganização da Corporação; foi instituída uma comissão para estudar a situação, aproveitando-se os apontamentos feitos em 1972. O resultado desse trabalho foi intitulado “Anteprojeto para Organização do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo”; neste documento estava pleiteada a criação de um só Bombeiro para todo o Estado, a regulamentação dos serviços, o surgimento de quadros profissionalizantes e meios que garantissem a implantação do sistema. Estavam inseridos ali a autonomia na sua área de atuação, um treinamento diferenciado para o pessoal, recursos próprios e uma rígida política de prevenção, reafirmando a finalidade máxima dos bombeiros.

Realmente, uma reestruturação foi feita em 1975, porém, diferente daquela preconizada, o efetivo aumentou, mas com resultados semelhantes aos de 1891, já que não voltaram os especialistas e o tempo para treinamento era curto. Aos poucos, esses problemas foram se atenuando, principalmente em função do novo Curso de Bombeiros para Oficiais, realizado em conjunto com a Faculdade de Tecnologia (FATEC). Quanto aos equipamentos, são importados auto-bombas, auto-escadas, auto-snorkel, veículos de comando e apoio; todas as viaturas operacionais passam a contar com rádio. Em 1979 ressurgem os manuais divididos por assuntos específicos. No mesmo ano foi lavrado um convênio entre o Estado e a Prefeitura de São Paulo, mais consciente de sua responsabilidade, após o acontecido no Joelma; até então, ela limitara-se a pagar ao Estado a irrisória quantia anual firmada em 1942.

1973 - É criado o 2º Grupamento de Busca e Salvamento, na zona sul da capital.

1974 - Em 01 de fevereiro ocorre o incêndio do Edifício Joelma de 23 andares, onde 189 pessoas morrem; o Corpo de Bombeiros envia ao local 26 viaturas e 318 bombeiros. É criado o 1º Grupamento de Busca e Salvamento, na área central da Capital.

1975 - Ocorre a preconizada reestruturação dos serviços de bombeiros. Em razão do incêndio do Joelma, é publicado o novo Código de Obras de São Paulo. É criado o 9º Grupamento de Incêndio, com sede no município de Ribeirão Preto.

1979 - Entra em funcionamento o 3º Sistema de Alarmes, o telefone 193. É firmado convênio entre o Estado e a Prefeitura. Médicos do Hospital das Clínicas da USP preocupados com a alta mortalidade nos Pronto-Socorros, produzidas pela ineficiência e inadequação do atendimento pré-hospitalar e transporte de vítimas, começam a se interessar no gerenciamento do atendimento das emergências em geral.

1981 - Em 14 de fevereiro, ocorre um incêndio na Av. Paulista, no edifício Grande Avenida de 23 andares; o Corpo de Bombeiros envia ao local 20 viaturas e 300 bombeiros, 17 pessoas morrem e 53 são feridas, entre elas 11 bombeiros e 10 do efetivo do Comando de Operações Especiais da PM.

1983 - É oficializado pela Secretaria Estadual da Saúde a CRAP - Comissão de Recursos Assistenciais de Pronto Socorro, com a participação de inúmeros órgãos ligados ao atendimento das vítimas, contando com a partuicipação do Corpo de Bombeiros.

1985 - É criado o 3º Grupamento de Busca e Salvamento, responsável pelas atividades de Prevenção de Afogamentos e Salvamento Marítimo, com sede no município do Guarujá.

1986 - Através da Associação de Intercâmbio entre EUA e Brasil, denominada "Companheiros da América", o Corpo de Bombeiros envia um grupo de 4 Oficiais, juntamente com 01 Oficial da Defesa Civil e 3 médicos à cidade de Chicago, para a realização de um Curso de Técnicos em Emergências Médicas.

1987 - É criado a CAMEESP - Comissão de Atendimento Médico às Emergências do Estado de São Paulo, que apresentou proposta para a criação de um projeto piloto de atendimento pré-hospitalar denominado "SISTEMA INTEGRADO DE ATENDIMENTO ÀS EMERGÊNCIAS DO ESTADO DE SÃO PAULO.

1988 - É criado o Projeto Salva-Mar (3º GBS), criando um novo perfil do "Guarda-Vidas" no litoral paulista possibilitando uma cobertura mais abrangente e eficiente, com a aquisição de novos equipamentos e maior grau de instrução, diminuindo o número de óbitos por afogamento.

1989 - Os Secretários Estaduais da Segurança e da Saúde assinam a resolução Conjunta SS/SSP Nº 42, que definia as formalidades de implantação do PROJETO RESGATE. São criados os 13º, 14º, 15º e 16º Grupamentos de Incêndio.

1990 - É colocado em prática o Serviço de Resgate com atuação na Grande São Paulo e em 14 municípios do estado, sendo empregadas 36 Unidades de resgate, 02 Unidades de Suporte Avançado e 01 helicóptero.

1991 - É formada uma turma de 40 "bombeiras", entre elas, 05 Oficiais, denominadas "Pioneiras do Fogo".

1992 - O Corpo de Bombeiros promove o 3º Seminário Nacional de Bombeiros na cidade de Ribeirão Preto.

1994 - O Serviço de Resgate do Estado de São Paulo é consolidado através do Decreto Lei nº 38.432, garantindo sua operacionalização através da Polícia Militar do Estado de São Paulo, por intermédio do Corpo de Bombeiros e do Grupamento de Rádiopatrulha Aérea. É criado o 1º Grupamento de Incêndio (Comando de Bombeiros da Capital).

1995 - Em 29 de janeiro, ocorre uma explosão em uma loja de fogos no bairro de Pirituba na Capital, 33 casas são atingidas e 15 pessoas morrem; o Corpo de Bombeiros enviou ao local 15 viaturas e 62 bombeiros. O Corpo de Bombeiros realiza o seu 1º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças.

1996 - É implantado o Sistema de Despacho assistido por computador no Centro de Operações de Bombeiros (COBOM) na Capital. É criado o 12º Grupamento de Incêndio (sede em Bauru). Ocorre em 11 de junho uma explosão no Shopping Center Plaza de Osasco causada por vazamento de GLP sob o piso da área de restaurantes, 41 pessoas morrem e mais de 300 pessoas são feridas; o Corpo de Bombeiros envia para o local 38 viaturas e 167 bombeiros. Ocorre em 31 de outubro a queda da aeronave Fokker 100 da TAM no bairro do Jabaquara, 99 pessoas morrem; o Corpo de Bombeiros envia para o local 28 viaturas e 107 bombeiros. O Corpo de Bombeiros realiza o seu 2º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças.

1997 - É lançado o MANUAL DE FUNDAMENTOS do Corpo de Bombeiros. Com mais de 360 páginas e mais de 880 ilustrações; o MANUAL aborda 18 temas ligados às principais áreas de atuação dos serviços de bombeiros. A sirene, popularmente conhecida como bitonal (dois tons lá-lá/ré-ré), com 4 (quatro) cornetas, frequência de 435/450 Hz e 580/600 Hz, com intensidade de som de 113 dh, a aproximadamente 7 (sete) metros, passa a ser destinada, para uso exclusivo e restrito aos veículos pertencentes ao CORPO DE BOMBEIROS da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Seguindo uma nova filosofia de atendimento à grandes emergências - SICOE (Sistema de Comando de Operações em Emergência).
É apresentada a nova viatura de "COMANDO DE OPERAÇÕES, destinada a ser empregada em grandes ocorrências servindo sempre como Posto de Comando e oferecendo ao Comandante das Operações todo o suporte técnico necessário ao planejamento estratégico e à coordenação tática das ações inerentes à emergência.
O Corpo de Bombeiros realiza o seu 3º Seminário de Agilização da intervenção Operacional com a presença de mais de 300 bombeiros entre Oficiais e Praças.

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